Uma parte descartada de um foguete Falcon 9, da SpaceX, colidiu com a Lua por volta das 3h35 desta quarta-feira (5), no horário de Brasília, segundo astrônomos que acompanharam a trajetória do objeto. A estrutura, com aproximadamente quatro toneladas, atingiu a superfície lunar a cerca de 2,43 quilômetros por segundo, o equivalente a aproximadamente 8.700 km/h.

O impacto não foi registrado diretamente por câmeras. No entanto, o Very Large Telescope, instalado no Observatório Paranal, no Chile, detectou sinais associados a uma pluma produzida pela colisão. O instrumento pertence ao Observatório Europeu do Sul, conhecido pela sigla ESO.

O objeto, identificado como 2025-010D, era a parte superior do Falcon 9 usado no lançamento das missões lunares Blue Ghost, da Firefly Aerospace, e Resilience, da empresa japonesa ispace. O foguete decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em 15 de janeiro de 2025.

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Telescópio detecta sódio e lítio após impacto

O Very Large Telescope identificou linhas espectrais de sódio e lítio em uma pluma que permaneceu detectável durante aproximadamente cinco a dez minutos depois do horário previsto para a colisão.

O sódio provavelmente foi liberado do solo lunar atingido. Já o lítio pode ter vindo da própria estrutura do foguete, segundo Carl Schmidt, astrônomo da Universidade de Boston responsável pelas observações.

Schmidt afirmou estar totalmente convencido de que os sinais registrados correspondem à colisão. A análise, porém, ainda é preliminar e deverá ser detalhada pelos pesquisadores. Não há imagens reais mostrando o momento em que o objeto atingiu a superfície.

Nova cratera ainda não foi fotografada

O impacto ocorreu nas proximidades da cratera Einstein, em uma região junto à borda entre as faces visível e oculta da Lua. A posição tornou a observação a partir da Terra especialmente difícil.

A confirmação visual deverá depender de imagens feitas por uma sonda em órbita lunar. A expectativa é que a Lunar Reconnaissance Orbiter, da NASA, passe sobre a região e fotografe o local, possivelmente na próxima semana.

Antes do impacto, diferentes modelos estimavam que a colisão abriria uma cratera com dezenas de metros de diâmetro. O tamanho real somente poderá ser determinado depois que imagens da superfície forem comparadas com registros anteriores da mesma região.

Simulação previa detritos a até 100 quilômetros

Uma simulação produzida antes da colisão estimou que a cortina principal de material arrancado da superfície poderia atingir entre 15 e 20 quilômetros de altitude. Partículas mais rápidas, concentradas em uma coluna central, poderiam alcançar entre 75 e 100 quilômetros.

Essa distância permanece como uma projeção científica, não como uma medição confirmada do impacto. As observações disponíveis até agora indicam uma corrente de sódio e lítio que se estendeu por dezenas de quilômetros e permaneceu detectável por até dez minutos.

A colisão não envolveu uma carga explosiva.

Impacto foi acidental

A SpaceX afirmou que a colisão não foi planejada. Depois de liberar as duas sondas lunares, a estrutura ficou sem controle no espaço. A combinação de forças gravitacionais e atividade solar alterou gradualmente sua trajetória até colocá-la em rota de impacto com a Lua.

A empresa informou que discute com a NASA formas de evitar episódios semelhantes. Com o aumento de missões comerciais e governamentais em direção à Lua, partes abandonadas de foguetes representam uma preocupação crescente para futuras bases, astronautas e equipamentos instalados na superfície.

Os dados da colisão poderão ajudar pesquisadores a aperfeiçoar modelos de formação de crateras, dispersão de poeira e rastreamento de objetos no espaço entre a Terra e a Lua. A questão ganha importância à medida que programas como o Artemis ampliam a presença humana e robótica na região.