Um estágio descartado de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deve colidir com a Lua por volta das 3h35 desta quarta-feira (5), no horário de Brasília. A estrutura, com aproximadamente quatro toneladas, atingirá a superfície lunar a cerca de 2,43 quilômetros por segundo, o equivalente a aproximadamente 8,7 mil km/h.

O impacto está previsto para ocorrer nas proximidades da cratera Einstein, junto à borda da Lua observada da Terra. A colisão pode produzir um clarão com menos de um segundo de duração, levantar uma nuvem de poeira e fragmentos e abrir uma nova cratera de dezenas de metros.

O objeto, identificado como 2025-010D, é o estágio superior usado no lançamento das missões lunares Blue Ghost, da Firefly Aerospace, e Resilience, da empresa japonesa ispace. O Falcon 9 decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em 15 de janeiro de 2025.

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Impacto pode lançar detritos a até 100 quilômetros

Uma simulação produzida por pesquisadores dos Estados Unidos estima que a cortina principal de material arrancado da superfície lunar poderá subir entre 15 e 20 quilômetros.

Uma coluna central formada por partículas mais rápidas poderia alcançar entre 75 e 100 quilômetros de altitude. A projeção depende de fatores como a posição do estágio no momento da colisão, o ângulo de entrada e as características do solo atingido.

O choque deve liberar uma grande quantidade de energia de forma quase instantânea. Embora o efeito possa ser descrito visualmente como uma explosão, não há indicação de uma carga explosiva: o clarão e a dispersão de material serão provocados principalmente pela velocidade da colisão.

Parte da estrutura poderá ser vaporizada no impacto. Os modelos para o tamanho da nova cratera variam, mas apontam para uma formação com dezenas de metros de diâmetro. Um estudo estima entre 20 e 30 metros, enquanto uma análise mais recente calcula aproximadamente 40 metros.

Colisão poderá ser vista do Brasil?

Pesquisadores consideram possível registrar o clarão ou a nuvem de detritos a partir da Terra. O ponto previsto fica próximo da borda lunar e estará iluminado pelo Sol, condição que dificulta a identificação de um clarão contra o brilho da própria Lua.

O fenômeno não deverá ser visível a olho nu. A detecção exigirá telescópios, câmeras capazes de registrar imagens em alta velocidade e condições meteorológicas favoráveis. O estudo de planejamento observacional aponta as Américas como uma das regiões adequadas para acompanhar o evento, o que inclui observatórios instalados no Brasil.

O clarão, caso seja detectado, deverá durar menos de um segundo. A nuvem de material poderá permanecer observável durante alguns minutos, dependendo da quantidade de poeira lançada e do brilho produzido pela colisão.

Por que o impacto interessa aos cientistas

A colisão não oferece risco para a Terra nem para pessoas. O episódio, porém, permitirá testar modelos sobre a formação de crateras, o comportamento da poeira lunar e os possíveis efeitos de grandes detritos espaciais sobre futuras bases, astronautas e equipamentos instalados na Lua.

Impactos artificiais na Lua são raros e apresentam uma vantagem científica: os pesquisadores conhecem antecipadamente características como o tamanho aproximado, a massa, a trajetória e a velocidade do objeto.

Esses dados poderão ser comparados posteriormente com imagens da nova cratera e com eventuais registros do clarão e da nuvem de detritos. O resultado ajudará a aperfeiçoar o monitoramento do espaço entre a Terra e a Lua, região que deverá receber um número crescente de veículos e equipamentos nos próximos anos.