O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro rejeitou, nesta segunda-feira (1º), as contas de 2025 da gestão do ex-governador Cláudio Castro.
A decisão, tomada por 3 votos a 1, será encaminhada à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que dará a palavra final sobre a aprovação ou rejeição das contas.
O caso ganhou peso político porque o principal ponto de alerta apontado no julgamento envolve o Rioprevidência e operações relacionadas ao Banco Master. Segundo a apuração publicada pelo Metrópoles, os conselheiros identificaram uma superavaliação artificial de R$ 1,13 bilhão no patrimônio do governo estadual.
O parecer contrário foi registrado no processo 103320-0/2026, referente à prestação de contas do Estado do Rio de Janeiro. Na página oficial do TCE-RJ, o caso aparece sob relatoria do conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento e tem como interessado Cláudio Bomfim de Castro e Silva.
Contas seguem para a Alerj
A rejeição no TCE-RJ não encerra o caso. O Tribunal emite um parecer prévio técnico, mas a decisão final cabe aos deputados estaduais da Alerj.
Com isso, o episódio passa a ter duas frentes: a contábil, ligada à avaliação das demonstrações financeiras do governo estadual, e a política, já que a Assembleia poderá manter ou reverter o entendimento do Tribunal de Contas.
A análise deve colocar pressão adicional sobre o entorno de Castro no Rio de Janeiro, em meio a outros desgastes políticos envolvendo sua gestão e o avanço de investigações sobre operações financeiras associadas ao Banco Master.
Banco Master no centro da crise
O ponto mais sensível da decisão é a ligação entre as contas estaduais, o Rioprevidência e investimentos no Banco Master.
Os conselheiros entenderam que o governo fluminense deixou de fazer a provisão para perdas desses investimentos, o que teria mascarado os valores reais nas demonstrações contábeis do Estado.
O voto do conselheiro José Gomes Graciosa também determinou que investimentos estaduais de R$ 5,01 bilhões sejam alvo de auditoria extraordinária.
As operações do Rioprevidência no Banco Master já vinham sendo tratadas como uma frente relevante de investigação. A nova decisão do TCE-RJ amplia o alcance institucional do caso, porque desloca o tema para a análise formal das contas de governo.
Por que isso importa
A rejeição das contas de um ex-governador por um Tribunal de Contas não tem apenas efeito administrativo. O parecer pode gerar desgaste político, alimentar disputas na Alerj e reforçar a pressão sobre a gestão fiscal do Estado.
No caso de Castro, o peso é maior porque a decisão ocorre em um contexto de questionamentos sobre operações financeiras ligadas ao Banco Master, instituição que já aparece em outras frentes de apuração com impacto político e institucional.
Para o Rio de Janeiro, o ponto central é a confiabilidade das contas públicas. Para a política nacional, o caso mantém o Banco Master no centro de uma crise que envolve autoridades, órgãos de controle, sistema financeiro e disputa de narrativa sobre responsabilidade fiscal.
O que falta saber
A próxima etapa será acompanhar o envio formal do parecer à Alerj e a eventual abertura de discussão política entre os deputados estaduais.
Também será importante verificar a íntegra do relatório do TCE-RJ, os fundamentos dos votos dos conselheiros e os próximos passos da auditoria extraordinária determinada sobre os investimentos estaduais.
Até lá, a decisão do Tribunal marca uma nova fase na crise envolvendo Cláudio Castro, Rioprevidência e Banco Master.



