Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (16) que a fotografia em que aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e ligado ao caso Banco Master, foi manipulada por inteligência artificial.

Durante uma transmissão ao vivo com a economista Daniella Marques, o senador apontou a aparência da mão de Mourão como suposto sinal de alteração da imagem.

Flávio disse que o homem retratado tinha um “dedo mindinho de 20 centímetros” e afirmou que o detalhe teria sido esquecido durante a suposta manipulação por IA.

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A declaração representa uma mudança em relação à manifestação divulgada após a publicação da fotografia. Inicialmente, Flávio afirmou que não sabia se a imagem era verdadeira e disse que, caso fosse, poderia ser apenas mais uma das fotos que tira diariamente com pessoas que o abordam.

Checagens não indicaram manipulação

A fotografia foi publicada originalmente pelo ICL Notícias em parceria com o Centro Latino-americano de Investigación Periodística, o CLIP. O registro teria sido feito em 2022, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro.

O ICL informou que submeteu a imagem a cinco ferramentas de detecção de conteúdo produzido por inteligência artificial: Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer. Nenhuma apontou indícios de que a foto tivesse sido criada por IA generativa.

Uma análise com a ferramenta InVID também não identificou sinais aparentes de montagem. O veículo destacou ainda que sombras, reflexos nos óculos e fontes de luz atingem os dois homens de forma semelhante.

Equipe prepara análise própria

A equipe jurídica de Flávio prepara uma análise própria para questionar a autenticidade da fotografia. Uma das hipóteses examinadas seria a de que o registro resultou da união de duas imagens diferentes.

Até a publicação, nenhum laudo técnico da equipe do senador havia sido apresentado publicamente.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que já conhecia a fotografia havia mais de um mês. Segundo ele, Flávio disse não se lembrar do homem ao seu lado e atribuiu o registro ao número de pessoas com quem costuma tirar fotos.

Quem era o “Sicário”

Luiz Phillipi Mourão foi apontado pela Polícia Federal como coordenador do grupo conhecido como “A Turma”, descrito nas investigações como uma estrutura privada ligada a Daniel Vorcaro.

A foto acrescentou um novo capítulo à repercussão política das relações de Flávio com o entorno de Vorcaro. O senador já havia confirmado que procurou o empresário para tentar obter financiamento para “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio nega conhecer Mourão e afirma que nunca manteve relação com o homem retratado.