A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira, 8 de julho, um mandado de busca e apreensão na residência onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, em Brasília, para verificar se havia armas, munições, acessórios ou documentos de registro ainda sob posse direta ou indireta do ex-presidente.
A ordem foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A diligência ocorreu após divergências sobre o paradeiro de armas vinculadas a Bolsonaro e sobre o cumprimento de uma determinação anterior para entrega integral dos armamentos.
Segundo a defesa, os agentes chegaram ao local por volta das 7h e deixaram a residência antes das 8h30. Nenhuma arma, munição ou documento de registro foi encontrado, de acordo com os advogados do ex-presidente.
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Por que Moraes autorizou a busca
A medida foi determinada depois que Moraes apontou discrepância entre informações prestadas pela defesa e dados existentes no processo. O ministro havia determinado a entrega de armas de fogo vinculadas a Bolsonaro, mas surgiram divergências sobre quais itens estavam sob custódia de órgãos públicos e quais ainda precisavam ter a localização formalmente esclarecida.
Na decisão, Moraes afirmou que a busca era necessária para assegurar o cumprimento da ordem judicial e afastar dúvidas sobre a eventual permanência de armamentos sob posse direta ou indireta do ex-presidente.
A defesa sustenta que já havia informado ao STF o paradeiro de todas as armas. O advogado João Henrique de Freitas, que acompanhou a diligência, afirmou que o mandado buscava armas, munições, acessórios e documentos de registro, mas que nada foi encontrado na residência.
A divergência sobre as armas
A controvérsia envolve armas registradas em nome de Bolsonaro e a forma como elas foram entregues ou localizadas após a ordem judicial. A defesa havia informado inicialmente que parte dos armamentos estava sob guarda do Exército e que outros itens já haviam sido entregues à Polícia Federal em 2023.
Depois, o Exército informou ao Supremo que mantinha sob sua custódia apenas parte das armas mencionadas. Com isso, a defesa apresentou esclarecimentos adicionais sobre dois armamentos cujo paradeiro ainda era questionado.
Um deles é uma espingarda Maestro Arms Company, calibre 12. Segundo os advogados, a arma permanece em uma importadora de artigos bélicos em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e nunca teria sido retirada pelo ex-presidente.
O outro armamento é uma pistola Glock, que estaria sob custódia da Polícia Civil do Distrito Federal após ter sido apreendida em uma blitz realizada em junho, quando estava com um militar do Exército que fazia a segurança de Bolsonaro.
Busca não muda, por si só, situação da prisão domiciliar
A diligência desta quarta não significa, por si só, uma nova condenação ou a constatação de que Bolsonaro mantinha armas em casa. O ponto central da decisão foi verificar o cumprimento da ordem de entrega dos armamentos e esclarecer a divergência sobre o paradeiro dos itens.
Bolsonaro está em prisão domiciliar por decisão do STF. A busca ocorre no contexto das condições impostas ao ex-presidente e da fiscalização sobre o cumprimento das medidas judiciais determinadas por Moraes.
Politicamente, o episódio reforça o ambiente de tensão entre o núcleo bolsonarista e o Supremo, em um momento em que aliados do ex-presidente tentam reorganizar a direita para 2026 e reduzir o desgaste provocado por novas decisões judiciais.



