Em publicação nas redes sociais, Flávio acusou a Polícia Federal de atuar de forma seletiva contra adversários políticos do governo Lula e afirmou que a investigação contra Valdemar faz parte de uma perseguição.

Essa perseguição precisa parar.

A reação acrescenta uma camada política ao caso. Valdemar não é apenas o dirigente investigado em uma apuração sobre emendas parlamentares. Ele também preside o PL, partido de Jair Bolsonaro e principal estrutura partidária da pré-candidatura de Flávio à Presidência em 2026.

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Da investigação ao discurso de perseguição

Na decisão, Dino determinou o bloqueio de bens de Valdemar e a suspensão da execução de despesas públicas ligadas a emendas apontadas pela Polícia Federal. A investigação apura suspeita de interferência no direcionamento de recursos, mesmo sem mandato parlamentar.

Como mostrou o Trendahora, a decisão cita diálogos usados pela PF para sustentar a suspeita de que interlocutores tratavam Valdemar como alguém com influência direta sobre valores, áreas e alterações em emendas parlamentares.

Flávio, porém, tentou deslocar o centro do debate. Em vez de responder aos diálogos citados na decisão, o senador enquadrou o caso como uma ação seletiva da PF contra adversários do presidente Lula.

O senador também afirmou confiar nas explicações do presidente do PL.

Tenho certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos levantados.

Por que isso pesa no PL

A defesa pública feita por Flávio aproxima o caso do tabuleiro eleitoral de 2026. Valdemar é uma peça central na organização do PL, na relação com a bancada e na construção política da direita em torno do bolsonarismo.

Ao defender Valdemar, Flávio também defende a estrutura partidária que sustenta sua própria candidatura. O movimento tenta transformar uma apuração sobre rastreabilidade de emendas em um episódio de disputa política contra a PF.

Esse enquadramento tende a ser usado pelo PL para mobilizar a base bolsonarista, mas também cria risco para Flávio: a campanha passa a conviver com uma investigação que mira o presidente do partido e envolve um valor de alto impacto público.

A linha da defesa

Flávio repetiu parte da tese apresentada pela defesa de Valdemar. O argumento é que um presidente partidário pode dialogar com parlamentares, defender prioridades políticas e influenciar sua bancada.

É natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL.

A defesa de Valdemar nega crime e afirma que a decisão parte de premissas frágeis. Os advogados sustentam que não há demonstração de fraude, desvio funcional, ocultação deliberada ou apropriação indevida da execução da despesa pública.

O bloqueio determinado por Dino é uma medida cautelar. Valdemar não foi condenado, e a investigação ainda deverá apurar se houve irregularidade na indicação, formalização e execução das emendas.