Flávio Bolsonaro disse ter se reunido com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, em Washington

Reunião ocorreu um dia depois do encontro com Donald Trump no Salão Oval, informou a Reuters nesta quarta-feira (27).

A nova rodada de conversas amplia a agenda do senador nos Estados Unidos e reforça a tentativa de transformar a viagem em ativo político. Flávio tenta se consolidar como nome da direita na disputa presidencial brasileira, mas enfrenta desgaste desde que veio a público sua ligação com Daniel Vorcaro, banqueiro associado ao caso Banco Master.

Segundo Flávio, as conversas em Washington incluíram temas como combate ao crime organizado, terras raras e liberdade de expressão. O senador também afirmou que a situação de saúde de Jair Bolsonaro foi tratada nas conversas, inclusive durante o encontro com Trump no Salão Oval.

Agenda vai além da foto com Trump

A ida de Flávio a Washington ganhou novo peso político. Antes, o principal fato era a foto ao lado de Trump na Casa Branca. Agora, ao afirmar que também conversou com Vance e Rubio, o senador tenta apresentar a viagem como uma agenda mais ampla com nomes centrais do governo americano.

O movimento tem valor simbólico para a direita brasileira. Vance é o vice-presidente dos Estados Unidos e Rubio comanda a diplomacia americana. Ao citar os dois, Flávio procura reforçar a imagem de acesso institucional em Washington e de conexão direta com o campo conservador americano.

Essa estratégia também ajuda a deslocar o foco da crise doméstica. Em vez de responder apenas sobre Vorcaro, Banco Master e financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, Flávio tenta recolocar sua pré-campanha em uma agenda internacional.

Crise Vorcaro segue como pano de fundo

Apesar da agenda nos Estados Unidos, o caso Daniel Vorcaro continua condicionando a leitura política sobre Flávio Bolsonaro. A crise começou após o senador reconhecer que buscou dinheiro de um banqueiro atualmente preso para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidade.

O episódio atingiu a pré-campanha porque levantou questionamentos sobre a relação entre o senador e o ex-comandante do Banco Master. Desde então, a oposição passou a usar o caso como munição política, enquanto Flávio tenta reconstruir sua imagem pública.

No Radar Trendahora sobre Banco Master, delação de Vorcaro e impactos políticos, o caso já vinha sendo acompanhado por seus efeitos sobre a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República, o sistema financeiro e a disputa presidencial.

Washington vira peça da disputa eleitoral

A agenda com Vance e Rubio mostra que Flávio tenta transformar Washington em plataforma de recomposição política. A viagem permite ao senador se aproximar de figuras importantes do governo Trump e reforçar temas caros à direita brasileira, como liberdade de expressão e segurança pública.

O ponto central, porém, é que a agenda internacional não elimina a crise interna. Pelo contrário: ela passa a ser lida dentro do mesmo contexto. Quanto mais Flávio tenta apresentar força externa, mais a viagem será comparada ao desgaste provocado pelo caso Vorcaro.

A disputa agora é de narrativa. Para Flávio, os encontros em Washington podem ajudar a projetar autoridade internacional. Para seus adversários, a viagem não responde às perguntas sobre o Banco Master. O efeito político dependerá de qual dessas leituras ganhar força nos próximos dias.