O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de ter obtido ilegalmente dados de 220 milhões de eleitores americanos durante um pronunciamento sobre segurança eleitoral realizado na noite desta quinta-feira (16).
Segundo a Casa Branca, os arquivos incluiriam nomes, endereços, números de telefone, preferências partidárias e outras informações utilizadas no registro eleitoral. O governo afirmou que dados de eleitores de 18 estados teriam sido comprados, roubados ou obtidos por meio de invasões, mas não apresentou registro de votos ou resultados eleitorais modificados.
Trump também acusou integrantes das agências de inteligência americanas de minimizar ou ocultar a dimensão da atuação chinesa. Junto com o discurso, a Casa Branca disponibilizou quatro conjuntos de documentos sobre sistemas eletrônicos de votação, dados obtidos pela China, uma investigação sobre registros eleitorais em Michigan e supostos não cidadãos inscritos para votar.
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Relatório oficial não apontou votos alterados
A acusação de obtenção de dados eleitorais não equivale à comprovação de que cadastros, votos ou resultados tenham sido modificados.
Uma avaliação publicada pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos em março de 2021 afirmou não haver indícios de que qualquer ator estrangeiro tivesse tentado alterar aspectos técnicos das eleições presidenciais de 2020. O documento mencionou expressamente o cadastro dos eleitores, a votação, a contagem dos votos e a divulgação dos resultados.
O relatório também concluiu, com alto grau de confiança, que a China não executou ações de interferência destinadas a mudar o resultado da eleição. A avaliação registrou que Pequim considerou, mas não colocou em prática, operações de influência com esse objetivo.
A comunidade de inteligência reconheceu que a China mantinha esforços para coletar informações sobre eleitores, opinião pública, partidos e candidatos americanos. Segundo o documento, esses dados poderiam ser utilizados para prever resultados e orientar a política chinesa em relação aos Estados Unidos.
Uma avaliação minoritária incluída no relatório considerou que Pequim tomou algumas medidas para prejudicar as chances de reeleição de Trump, principalmente por meio de redes sociais, declarações públicas e veículos de comunicação. Mesmo essa análise afirmou não haver informação de que a China tivesse tentado interferir nos processos eleitorais ou na infraestrutura de votação.
Trump pressiona Congresso por nova lei
Trump usou o pronunciamento para pressionar o Congresso a aprovar o chamado SAVE America Act, conjunto de medidas defendido pelo governo para endurecer as regras eleitorais.
A proposta divulgada pela Casa Branca prevê identificação válida, comprovação documental de cidadania e restrições ao voto pelo correio, com exceções para casos como doença, deficiência, serviço militar e viagens. O governo também defende a retirada de não cidadãos dos registros eleitorais.
A campanha pela aprovação da medida ocorre antes das eleições legislativas de novembro, nas quais os republicanos tentarão manter o controle do Congresso.
Casa Branca cita Brasil como exemplo
Ao defender a nova legislação, a Casa Branca afirmou que Brasil e Índia vinculam a identificação dos eleitores a bases biométricas, enquanto grande parte dos Estados Unidos dependeria da autodeclaração de cidadania.
A comparação, porém, não explica integralmente como funciona a identificação dos eleitores brasileiros.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o eleitor poderá votar em 2026 apresentando um documento oficial com foto ou o aplicativo e-Título com fotografia. A foto só aparece no aplicativo para quem realizou o cadastramento biométrico. Quem não possui a fotografia no e-Título pode apresentar outro documento oficial com foto.
Assim, a biometria integra o cadastro e o sistema de identificação da Justiça Eleitoral, mas sua ausência não impede automaticamente uma pessoa com situação eleitoral regular de votar no Brasil.



