Donald Trump chamou neste domingo, 5 de abril, o resgate de um militar americano em território iraniano de “milagre de Páscoa” e abriu uma nova frente de controvérsia ao associar a operação militar a uma linguagem religiosa cristã em meio à guerra contra o Irã. A reação veio de grupos muçulmanos, de parlamentares democratas e até de nomes do campo conservador nos Estados Unidos.

Declaração de Trump abre nova controvérsia

A declaração foi dada por Trump em entrevista à NBC. Ao comentar a retirada do militar, o presidente tratou a missão como um sinal extraordinário em pleno domingo de Páscoa. Integrantes do governo seguiram a mesma linha. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, associou o episódio ao simbolismo da ressurreição de Jesus, enquanto o secretário de Defesa, Pete Hegseth, escreveu que “Deus é bom” ao repercutir o sucesso da operação.

Ameaça ao Irã ampliou repercussão do caso

O episódio ganhou peso adicional porque ocorreu no mesmo dia em que Trump voltou a ameaçar o Irã. Em mensagem pública, ele afirmou que, se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até terça-feira às 20h no horário do leste dos Estados Unidos, usinas de energia e pontes iranianas poderiam ser alvos americanos. Na mesma publicação, encerrou a mensagem com a expressão “Louvado seja Alá”.

Críticas miram uso da fé em meio à guerra

A principal crítica feita contra a Casa Branca é que a linguagem religiosa passou a ser usada não apenas como mensagem simbólica de ocasião, mas como moldura política para justificar uma ação militar em curso. Esse ponto apareceu nas reações públicas de adversários de Trump e também em críticas vindas de fora do campo democrata.

Entre os nomes citados nas reações está Marjorie Taylor Greene, aliada de Trump no campo republicano. Ela afirmou que cristãos no governo deveriam buscar paz, e não escalada de guerra. A controvérsia também foi reforçada por uma iniciativa anterior de 30 parlamentares democratas, que pediram investigação sobre relatos de uso de profecias bíblicas para justificar a guerra contra o Irã.

Organização muçulmana cobra reação do Congresso

O Council on American-Islamic Relations, uma das principais organizações muçulmanas dos Estados Unidos, condenou a linguagem usada por Trump e disse que a combinação entre zombaria do Islã e ameaças contra infraestrutura civil foi irresponsável e perigosa. A entidade também cobrou uma reação do Congresso diante da escalada do conflito.

Resgate militar ocorreu em operação de alto risco

O pano de fundo da controvérsia é uma operação militar de alto risco. O militar resgatado era o segundo tripulante de um caça F-15 derrubado no Irã. Segundo informações divulgadas neste domingo, a missão de retirada ocorreu dentro do território iraniano, envolveu dezenas de aeronaves e enfrentou resistência durante a execução.

Debate vai além da operação militar

Ao transformar esse resgate em símbolo religioso e, no mesmo ciclo de notícias, ampliar o tom das ameaças contra o Irã, Trump colocou no centro do debate um tema que vai além da operação militar: o uso da fé como linguagem de legitimação política em uma guerra em expansão.