Donald Trump elevou ainda mais o tom contra o Irã nesta terça-feira, 7 de abril, ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso Teerã não aceite um acordo para encerrar o confronto. A ameaça foi feita em uma postagem nas redes sociais, horas antes do prazo estipulado pela Casa Branca para que o país reabra o Estreito de Ormuz e aceite um entendimento com Washington.
A frase marcou um novo patamar na escalada verbal do presidente americano. Segundo a Reuters, Trump escreveu que uma “civilização inteira” poderia desaparecer naquela noite e disse que o mundo estava diante de um dos momentos mais importantes de sua história recente. Em paralelo, o republicano vinha repetindo que, sem acordo, pontes e usinas iranianas seriam destruídas.
Chamado oficial para correntes humanas
Do lado iraniano, a resposta ganhou um tom simbólico e interno. A Associated Press informou que o oficial Alireza Rahimi divulgou uma mensagem em vídeo convocando jovens, atletas, artistas, estudantes e professores a formarem correntes humanas ao redor de usinas de energia e de outros possíveis alvos no país.
A mesma reportagem relata que a mídia estatal iraniana publicou vídeos mostrando centenas de pessoas com bandeiras em duas pontes e em uma usina localizada a centenas de quilômetros de Teerã.
A agência também observou que esse tipo de gesto já apareceu em outros momentos de forte tensão entre o Irã e o Ocidente, quando iranianos formaram correntes humanas ao redor de instalações nucleares.
Mobilização interna e ameaça sobre infraestrutura
O movimento ocorre em um momento em que a infraestrutura civil passou para o centro da crise. Reuters e AP registraram que Trump vinculou seu ultimato à reabertura de Ormuz e ameaçou destruir pontes e usinas iranianas caso o prazo expirasse sem acordo. A AP acrescenta que o presidente americano também deixou aberta, ao menos na retórica, a possibilidade de uma saída diplomática de última hora.
Segundo a AP, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que 14 milhões de iranianos responderam a campanhas de voluntariado para lutar, e disse que ele próprio se juntaria a esse esforço. A reportagem também aponta que um general da Guarda Revolucionária pediu que pais enviassem seus filhos para atuar em postos de controle, enquanto a corporação advertiu que o Irã poderia privar os Estados Unidos e seus aliados do petróleo e do gás da região por anos se a ameaça de Trump fosse executada.
No campo militar, os ataques continuaram antes mesmo do fim do prazo. A AP relatou que bombardeios atingiram duas pontes e uma estação ferroviária, além de alvos na ilha de Kharg. A Reuters também registrou ofensivas contra pontes, aeroporto, planta petroquímica e estruturas ligadas à principal rota de exportação de petróleo iraniana. Ainda assim, a AP observou que não estava claro se esses ataques mais recentes já eram a execução direta da ameaça ampliada feita por Trump no mesmo dia.
Reações internacionais
A retórica do presidente americano provocou reação fora do eixo direto da guerra. O papa Leão classificou como “inaceitáveis” as ameaças contra a população iraniana e afirmou que ataques à infraestrutura civil violam o direito internacional. A declaração foi feita poucas horas depois da postagem de Trump e marcou uma intervenção rara e direta do pontífice sobre um líder mundial em meio à crise.
A França também reagiu. O chanceler Jean-Noël Barrot afirmou que espera que Trump não leve a ameaça adiante e resumiu a gravidade do momento com uma frase curta: não se apaga uma civilização.
O que a crise mostra agora
O dado mais forte deste episódio é que a escalada deixou de ser apenas militar ou diplomática e passou a atingir diretamente a linguagem da destruição civil e da mobilização social. De um lado, Trump ameaçou o coração da infraestrutura iraniana. De outro, o regime respondeu tentando transformar usinas e pontes em símbolos de resistência nacional.
Para o Irã, a convocação das correntes humanas serve como resposta política, visual e emocional à ameaça americana. Para o restante do mundo, ela reforça que a disputa em torno de Ormuz e da guerra deixou de se limitar a bases militares e passou a envolver, de forma explícita, o risco sobre a vida civil e sobre a infraestrutura essencial do país.



