A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel ganhou um novo desdobramento diplomático nesta terça-feira (3). A Espanha se recusou a permitir que bases militares em seu território fossem utilizadas para missões ligadas a ataques ao Irã, provocando uma reação direta do presidente americano Donald Trump.
Segundo declarações do governo espanhol, as bases localizadas em Rota e Morón, no sul do país, não estavam sendo usadas na operação e não seriam utilizadas para ações fora do acordo bilateral com os Estados Unidos ou em desacordo com a Carta da ONU.
Trump ameaça cortar todo o comércio
Após a recusa espanhola, Trump afirmou que a Espanha foi “terrível” ao não permitir o uso das bases e declarou que orientou o secretário do Tesouro a “cortar todos os negócios” com o país.
O presidente americano afirmou:
“Vamos cortar todas as relações comerciais com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha.”
A declaração representa uma ameaça de embargo comercial total dos Estados Unidos contra a Espanha.
Realocação de aeronaves
Após a posição espanhola, os Estados Unidos realocaram 15 aeronaves, incluindo aviões-tanque de reabastecimento, das bases de Rota e Morón.
O episódio adiciona tensão à já delicada relação entre aliados da OTAN em meio à guerra no Oriente Médio.
Defesa, OTAN e pressão americana
Trump voltou a criticar o nível de gastos militares da Espanha, afirmando que o país não atende aos apelos para que membros da OTAN destinem 5% do PIB à defesa.
O governo espanhol, por sua vez, defendeu que os Estados Unidos devem respeitar o direito internacional e os acordos comerciais firmados entre União Europeia e EUA. Madri também declarou que possui “recursos necessários” para enfrentar o possível impacto de um embargo.
Comércio entre EUA e Espanha
Em 2025, os Estados Unidos registraram superávit comercial de US$ 4,8 bilhões com a Espanha pelo quarto ano consecutivo. As exportações americanas somaram US$ 26,1 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 21,3 bilhões.
Condenação aos ataques
Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez condenou as ações como violação do direito internacional e pediu diálogo para encerrar a guerra.
O impasse entre Washington e Madri amplia a dimensão diplomática do conflito e adiciona um novo ponto de pressão no cenário internacional.



