O advogado nacionalista Abelardo De La Espriella venceu a apuração inicial do segundo turno presidencial na Colômbia, em uma disputa apertada contra o senador de esquerda Iván Cepeda. O resultado reforça a guinada à direita em países da América Latina e impõe uma derrota ao campo político do presidente Gustavo Petro.

De La Espriella apareceu com 49,66% dos votos, contra 48,70% de Cepeda, uma diferença inferior a 1 ponto percentual. Apesar da comemoração do candidato de direita, o resultado ainda passa pela verificação legal prevista no sistema eleitoral colombiano, conduzida por autoridades eleitorais, juízes e notários.

Cepeda reconheceu os dados preliminares, mas afirmou que aguardará a contagem final antes de conceder oficialmente a derrota. A campanha do candidato de esquerda também contestou resultados de milhares de mesas, o que mantém a eleição sob atenção nos próximos dias.

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A vitória de De La Espriella encerra o ciclo do primeiro governo de esquerda da Colômbia, comandado por Gustavo Petro, e coloca o país em sintonia com uma onda regional de governos mais conservadores. Argentina, Chile, Equador, Bolívia, Panamá e Peru também passaram por deslocamentos recentes à direita, em meio a preocupações com segurança, economia, inflação e presença do crime organizado.

Quem é De La Espriella

De La Espriella é advogado, empresário e chegou à disputa presidencial como um nome de fora da política tradicional. Durante a campanha, adotou discurso duro contra o crime, prometeu reduzir o tamanho do Estado, reativar projetos de petróleo e gás e encerrar negociações de paz com grupos armados.

O presidente eleito também se aproximou de Donald Trump e defendeu maior alinhamento da Colômbia com os Estados Unidos em segurança regional, combate ao narcotráfico e política econômica. Essa mudança marca contraste direto com Petro, que foi uma das vozes mais críticas à política externa americana na América Latina.

Resultado apertado limita força política

Apesar da vitória na apuração inicial, De La Espriella deve começar o mandato com margem política limitada. A diferença pequena nas urnas expõe um país dividido e o novo governo terá de negociar com um Congresso fragmentado.

O Pacto Histórico, partido de Cepeda e principal força ligada a Petro, segue como uma das bancadas mais relevantes do país. Isso pode dificultar reformas mais agressivas, especialmente nas áreas de segurança, energia, orçamento público e redução do Estado.

A comparação com Nayib Bukele, presidente de El Salvador, também apareceu durante a campanha por causa da defesa de políticas de segurança mais duras e de grandes presídios. Analistas, porém, apontam que a Colômbia tem instituições, geografia, conflito armado e dinâmica territorial muito mais complexos que El Salvador.

Impacto para o Brasil

A mudança na Colômbia interessa diretamente ao Brasil por três motivos: política regional, segurança amazônica e comércio bilateral.

No campo diplomático, Petro era um dos principais aliados ideológicos de Lula na América do Sul. A chegada de De La Espriella reduz o bloco regional de governos alinhados à esquerda e pode aproximar Bogotá da agenda de Trump para a América Latina.

Na segurança, Brasil e Colômbia compartilham desafios na Amazônia, especialmente narcotráfico, mineração ilegal, rotas fluviais e atuação de facções transnacionais. Uma política colombiana mais dura contra grupos armados pode alterar a cooperação na fronteira e aumentar a pressão por coordenação com Brasil e Peru.

Na economia, a relação bilateral também é relevante. A corrente de comércio entre Brasil e Colômbia chegou a US$ 5,4 bilhões em 2025, com exportações brasileiras de US$ 3,4 bilhões. A pauta inclui veículos, autopeças, medicamentos, produtos químicos, calçados, máquinas e equipamentos.

Guinada regional

A eleição colombiana amplia a leitura de que a América Latina passa por uma nova fase política. Depois da chamada “maré rosa” que levou governos de esquerda ao poder no início da década, parte do eleitorado regional migrou para candidatos que prometem ordem pública, corte de gastos, redução de impostos e maior abertura ao setor privado.

O desafio de De La Espriella será transformar esse mandato apertado em capacidade de governo. A Colômbia continua pressionada por narcotráfico, mineração ilegal, baixa presença do Estado em regiões periféricas e disputas entre grupos armados. A vitória muda o eixo político do país, mas não elimina os impasses que marcaram o fim do governo Petro.