A Rússia lançou um grande ataque com drones e mísseis contra Kiev na madrugada desta quinta-feira, 2, deixando ao menos 27 mortos e 91 feridos, segundo autoridade militar da capital ucraniana citada pela Reuters.
O ataque danificou cerca de 130 edifícios e foi descrito pela agência como o mais letal contra Kiev neste ano. Explosões foram registradas durante a noite, enquanto moradores buscavam abrigo em estações de metrô e outros locais subterrâneos.
A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia lançou 74 mísseis e 496 drones durante a ofensiva. O porta-voz da Força Aérea ucraniana, Yuri Ihnat, disse que o número de mísseis balísticos foi incomumente alto e que a taxa de interceptação foi baixa.
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O balanço de vítimas subiu ao longo do dia. Tymur Tkachenko, chefe da administração militar da capital, afirmou que o número de mortos chegou a 27 depois que uma pessoa ferida morreu no hospital. Equipes de resgate ainda trabalhavam entre os escombros, e autoridades alertaram que novas vítimas poderiam ser encontradas.
Zelensky cobra defesa aérea prometida
O presidente Volodymyr Zelensky encurtou uma visita à Irlanda e voltou à Ucrânia após o ataque. Ele visitou o local onde um prédio residencial de nove andares foi parcialmente destruído e cobrou aliados pela demora na entrega de sistemas de defesa aérea prometidos.
Zelensky afirmou que mais casas e vidas poderiam ter sido salvas se os compromissos assumidos por parceiros internacionais tivessem sido cumpridos a tempo. O presidente ucraniano também disse que a defesa aérea será um dos temas centrais nas próximas conversas com aliados da Otan.
A cobrança ocorre em um momento de pressão sobre os estoques de interceptadores usados pela Ucrânia, especialmente contra mísseis balísticos. Kiev depende de sistemas ocidentais, como baterias Patriot, para tentar conter ataques de longo alcance lançados pela Rússia.
Danos atingiram várias áreas da capital
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, anunciou luto oficial na cidade para sexta-feira. Segundo autoridades, os danos foram registrados em diferentes partes da capital, incluindo prédios residenciais e instalações civis.
A Cruz Vermelha Ucraniana afirmou que um armazém humanitário em Kiev foi destruído no ataque. Segundo a organização, centenas de milhares de itens de ajuda foram perdidos, afetando operações de emergência e resposta humanitária no país.
A embaixadora da União Europeia na Ucrânia, Katarina Mathernova, disse que uma acomodação usada por funcionários diplomáticos também foi atingida. Diplomatas não ficaram feridos, mas pertences foram danificados em um incêndio.
Rússia diz que mirou alvos militares e energéticos
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o ataque teve como alvo instalações militares, infraestrutura energética e aeroportos em Kiev e em outras regiões da Ucrânia. Moscou disse que a ofensiva foi uma retaliação a ataques ucranianos contra território russo.
O Kremlin informou que comandantes militares relataram os resultados da operação ao presidente Vladimir Putin e afirmou que continuará aumentando a pressão para alcançar seus objetivos na guerra.
A Ucrânia, por sua vez, intensificou nas últimas semanas ataques contra infraestrutura russa, especialmente alvos ligados ao abastecimento de combustível. Kiev informou que atingiu uma refinaria de petróleo na região russa de Nizhny Novgorod.
Reação internacional
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que proporá novas sanções contra entidades que apoiam o complexo militar-industrial russo. Segundo ela, quanto mais Moscou ataca civis, mais sanções devem ser impostas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques. Seu porta-voz afirmou que o episódio faz parte de um padrão mortal de ofensivas contra áreas povoadas.
A nova ofensiva reforça a pressão sobre a defesa aérea ucraniana e mostra como a guerra segue afetando áreas urbanas distantes da linha de frente.



