As forças do Afeganistão lançaram ataques contra posições militares do Paquistão ao longo da fronteira nesta quinta-feira (26), uma ação que intensificou confrontos já preocupantes entre os dois países vizinhos.

Segundo autoridades afegãs, “operações ofensivas de grande escala” foram lançadas contra posições e instalações militares paquistanesas em resposta aos ataques aéreos realizados por Islamabad contra alvos dentro do território afegão nos últimos dias.

O governo do Paquistão afirmou que suas forças responderam a “fogo não provocado” aberto por forças afiliadas ao Talibã afegão em múltiplos pontos ao longo da fronteira, incluindo setores em Khyber Pakhtunkhwa, e que isso levou a uma contra-ofensiva eficaz.

CLIMA DE CONFRONTOS E RELATOS DE VÍTIMAS

De acordo com fontes citadas pela Al Jazeera, um comando militar afegão afirmou que 10 soldados paquistaneses foram mortos e que 13 postos foram capturados durante os ataques. O mesmo relato atribui essas ações à retaliação pelos golpes aéreos paquistaneses de domingo.

O Ministério da Informação e Radiodifusão do Paquistão afirmou que as tropas realizaram uma “resposta imediata e eficaz”, infligindo pesadas baixas do lado afegão e destruindo múltiplos postos e equipamentos, segundo comunicado publicado na plataforma X.

TENSÃO HISTÓRICA NA LINHA DURAND

Os confrontos ocorreram ao longo da conhecida Linha Durand, a fronteira de aproximadamente 2.611 km entre os dois países, área que tem sido um foco constante de tensão e confrontos recorrentes entre Cabul e Islamabad nos últimos anos.

Nos últimos meses, o fechamento de pontos de passagem terrestre e episódios violentos já haviam tensionado ainda mais as relações entre os dois governos, com acusações mútuas de violações e suporte a grupos insurgentes.

REAÇÕES DIVERGENTES

As autoridades paquistanesas negaram que seus próprios postos tenham sido capturados ou danificados significativo, afirmando ter infligido “pesadas perdas” nas forças afegãs em resposta à agressão atribuída ao Talibã.

Ao mesmo tempo, o Talibã e outros representantes no Afeganistão sustentam que seus ataques foram motivados por ações militares paquistanesas no território afegão, numa sequência de hostilidades que, segundo relatos oficiais, incluiu ataques aéreos nos últimos dias.