A Micron Technology chegou a superar a Meta em valor de mercado durante o pregão desta quinta-feira (25), impulsionada pela forte demanda por chips de memória usados em infraestrutura de inteligência artificial.
A alta colocou a fabricante americana de memória no centro da nova fase da corrida por IA em Wall Street. Segundo a Reuters, as ações da Micron subiam mais de 18% no momento em que a empresa alcançou valor de mercado de cerca de US$ 1,398 trilhão, acima dos US$ 1,392 trilhão da Meta naquele instante. A companhia também chegou a encostar brevemente na Tesla.
O movimento ocorreu depois que a Micron divulgou resultado recorde no terceiro trimestre fiscal de 2026. A empresa informou receita de US$ 41,46 bilhões, contra US$ 23,86 bilhões no trimestre anterior e US$ 9,30 bilhões no mesmo período do ano passado.
Publicidade
Para o trimestre seguinte, a companhia projetou receita de US$ 50 bilhões, com margem de variação de US$ 1 bilhão. A previsão ficou acima das expectativas do mercado e reforçou a leitura de que a demanda por memória para IA segue aquecida.
Por que a Micron virou protagonista da corrida por IA
A Micron é uma das principais fornecedoras globais de memória e armazenamento, componentes essenciais para servidores, data centers e sistemas de inteligência artificial. Com o avanço dos modelos de IA, a disputa deixou de girar apenas em torno de GPUs e passou a envolver também memória de alta largura de banda, armazenamento rápido e capacidade de processamento em escala.
A própria empresa afirmou que seus resultados refletem o “valor estratégico da memória na era da IA”. A Micron também disse que sua tecnologia HBM4 já está em envio de alto volume para a plataforma de um cliente líder, além de estar em fase de qualificação com outros clientes.
Esse tipo de memória é usado em aplicações que exigem grande volume de dados e baixa latência, como treinamento e inferência de modelos de IA. Na prática, quanto maior a corrida por data centers, maior a pressão por componentes capazes de alimentar essa infraestrutura.
Contratos longos reduzem medo de ciclo especulativo
Outro ponto que chamou atenção de investidores foi a informação de que clientes da Micron assumiram compromissos bilionários para garantir fornecimento de chips de memória. Esses acordos somam cerca de US$ 22 bilhões.
Esse detalhe é relevante porque o setor de memória costuma passar por ciclos fortes de alta e queda. Quando a demanda cresce, fabricantes ampliam capacidade; quando a procura desacelera, o excesso de oferta pressiona preços e margens.
Agora, Micron, Samsung e SK Hynix tentam convencer o mercado de que os contratos de longo prazo podem tornar esse ciclo menos instável. A tese é que grandes compradores de infraestrutura de IA estão dispostos a pagar e se comprometer antes para evitar falta de componentes.
A ironia envolvendo a Meta
A ultrapassagem momentânea da Meta tem um componente simbólico. A Meta é uma das empresas que mais investem em infraestrutura de inteligência artificial, com previsão de gastos de capital entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões em 2026.
Parte dessa despesa está ligada a data centers, servidores e componentes. Ou seja: a mesma corrida de grandes empresas de tecnologia por IA ajuda a elevar o valor de fornecedores como a Micron.
Esse movimento mostra uma mudança na hierarquia do mercado de tecnologia. Durante anos, plataformas digitais como Facebook, Instagram e Google concentraram a maior parte da atenção. Agora, a infraestrutura física por trás da IA: chips, memória, energia, data centers e refrigeração; virou o novo eixo da disputa.
Impacto para o Brasil
Para o Brasil, o impacto é indireto, mas importante. A alta demanda por memória e componentes de IA pode pressionar custos de servidores, serviços de nuvem, data centers e equipamentos corporativos.
Empresas brasileiras que dependem de computação em nuvem, inteligência artificial, armazenamento de dados e infraestrutura digital podem sentir esse movimento nos preços de contratação de tecnologia. O tema também importa para a estratégia do país de atrair data centers e investimentos em infraestrutura digital.
A disparada da Micron, portanto, não é apenas uma notícia de bolsa. Ela mostra que a corrida por inteligência artificial está reorganizando cadeias inteiras de tecnologia, e que os fornecedores de infraestrutura podem se tornar tão estratégicos quanto as próprias big techs.



