A pesquisa Datafolha que mostrou empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em São Paulo traz um segundo dado que muda a leitura da disputa: quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao eleitor, o maior grupo não é o do presidente nem o do senador do PL. É o dos que não sabem responder.
Na pesquisa estimulada, Lula e Flávio aparecem com 35% cada no primeiro turno. Esse é o placar mais direto da disputa. Mas, na espontânea, quando o entrevistado precisa citar um nome sem receber uma lista, Lula marca 24%, Flávio tem 18% e 37% dizem não saber em quem votar.
O contraste mostra duas eleições dentro da mesma pesquisa. Com a lista de nomes na frente, São Paulo aparece dividido entre Lula e Flávio. Sem a lista, a disputa ainda tem um grande bloco de eleitores sem candidato lembrado.
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A diferença entre voto de lista e voto de memória
A pesquisa estimulada mede a reação do eleitor diante de opções apresentadas. É nela que Lula e Flávio empatam com 35% em São Paulo, no cenário de primeiro turno testado pelo Datafolha.
A espontânea mede outra coisa: quais nomes estão instalados na memória política do eleitor antes de qualquer sugestão. Nesse formato, Lula aparece mais lembrado que Flávio, mas nenhum dos dois supera o grupo dos que não sabem responder.
Esse ponto é importante porque uma pré-campanha pode ser competitiva na lista sem estar totalmente consolidada na cabeça do eleitor. O eleitor reconhece o nome quando ele aparece, mas nem sempre o cita sozinho.
Lula é mais lembrado, mas também mais rejeitado
A espontânea mostra que Lula ainda tem uma lembrança eleitoral maior em São Paulo. O presidente aparece com 24%, seis pontos à frente de Flávio Bolsonaro nesse recorte.
O problema para Lula está na rejeição. Segundo o Datafolha, 51% dos eleitores paulistas dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Flávio tem rejeição de 43%.
Isso cria uma tensão central para o petista no maior colégio eleitoral do país: Lula é o nome mais lembrado espontaneamente, mas também aparece como o candidato mais rejeitado entre os dois principais nomes da pesquisa.
Flávio empata na lista, mas ainda precisa virar lembrança
Para Flávio Bolsonaro, o dado aponta outro tipo de desafio. O senador empata com Lula quando seu nome aparece na lista, mas fica atrás do presidente na resposta espontânea.
A leitura política é que Flávio já aparece como opção competitiva quando apresentado ao eleitor paulista, mas ainda precisa transformar essa competitividade em lembrança própria. O sobrenome Bolsonaro o coloca no centro da disputa, mas a espontânea indica que parte do eleitorado ainda não o cita automaticamente como nome presidencial.
Esse detalhe ajuda a explicar por que o empate de 35% a 35% não significa, sozinho, uma eleição cristalizada. A disputa aparece polarizada na estimulada, mas ainda menos consolidada na memória espontânea.
Jair Bolsonaro ainda aparece como sombra eleitoral
A pesquisa também mostra Jair Bolsonaro citado por 3% dos eleitores na espontânea, mesmo inelegível e fora da disputa presidencial. O dado é pequeno, mas politicamente relevante.
A menção espontânea ao ex-presidente indica que parte do eleitorado ainda associa a eleição nacional ao nome de Jair Bolsonaro, não necessariamente ao de Flávio. Para o senador, isso pode ser ativo e limite ao mesmo tempo: a ligação familiar dá tração, mas a candidatura ainda precisa construir identidade própria diante do eleitor.
O território também divide a pesquisa
O Datafolha mostra que São Paulo não está dividido apenas entre nomes. O estado também aparece dividido por território.
Em uma simulação de segundo turno contra Flávio, Lula registra 38% no interior, contra 52% do senador. Na capital e na região metropolitana, o quadro se inverte: Lula tem 48%, enquanto Flávio aparece com 40%.
A pesquisa, portanto, combina duas divisões. Uma é territorial: interior mais favorável a Flávio, região metropolitana mais favorável a Lula. A outra é de consolidação: uma parte expressiva do eleitorado ainda não cita espontaneamente nenhum candidato.
Como foi a pesquisa
O Datafolha ouviu 1.608 eleitores no estado de São Paulo, em 71 municípios, entre 1º e 3 de julho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no TSE sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.



