A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, investigação que mira uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A ofensiva cumpre mandados em cidades de São Paulo e apura movimentações financeiras superiores a R$ 10 bilhões.

O caso ganhou um componente sensível para a segurança pública paulista porque uma transcrição atribuída à decisão judicial que autorizou a operação menciona o nome de Fábio Pinheiro Lopes, conhecido como Fábio Caipira, ex-chefe do Departamento Estadual de Investigações Criminais, o Deic.

Segundo o trecho revelado no contexto da investigação, um investigado teria dito que precisava enviar R$ 100 mil para “Fábio Caipira do Deic”. A frase, porém, é tratada como elemento de apuração. Ela não significa, por si só, que o pagamento tenha ocorrido.

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Operação mira lavagem de dinheiro e criptoativos

De acordo com a Polícia Federal, a Operação Exchange foi aberta para desarticular um grupo especializado em movimentar recursos ilícitos por meio de transferências de criptoativos, transporte de valores, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras.

A PF informou que mais de 50 policiais federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão temporária. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo e têm como alvos endereços na capital paulista, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões. A PF afirma que os envolvidos poderão responder, em tese, por associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes que venham a ser identificados no curso da investigação.

O comunicado americano atribui a Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira a liderança do núcleo paulista da rede. Segundo o Tesouro dos EUA, Shimada teria atuado como elo entre operadores ligados ao PCC na Flórida e traficantes estrangeiros, usando criptomoedas para mover recursos ilícitos de volta ao Brasil.

A OFAC, órgão de controle de ativos estrangeiros do Tesouro americano, incluiu Victor Shimada, Stella Stefanie e empresas como Pixwave, Victory Trading e Wave Construções Inteligentes na lista de sanções. A medida bloqueia bens e interesses sob jurisdição americana e restringe transações envolvendo os sancionados.

O que aparece sobre Fábio Caipira

Fábio Pinheiro Lopes chefiava o Deic antes da mudança anunciada pelo governo paulista em janeiro de 2025, quando Ronaldo Sayeg deixou o Denarc para assumir o departamento. A informação consta em publicação oficial do Governo de São Paulo sobre alterações na direção de departamentos especializados da Polícia Civil.

Na Operação Exchange, o nome de Fábio Caipira aparece no ponto mais delicado da apuração pública: a transcrição de um áudio em que um investigado teria citado o envio de R$ 100 mil.

Até o momento, não há documento público consultado pelo Trendahora que comprove pagamento ao delegado, recebimento de valores ou participação dele no esquema investigado. O dado confirmável é que o nome foi citado no material da investigação e que a PF apura possíveis crimes ligados à movimentação financeira do grupo.

Por que o caso importa

A Operação Exchange cruza três frentes de interesse público: lavagem de dinheiro em escala bilionária, uso de criptoativos para movimentação de recursos ilícitos e suspeitas envolvendo redes transnacionais atribuídas ao PCC.

O caso também pressiona instituições brasileiras porque envolve uma investigação da Polícia Federal, sanções do governo dos Estados Unidos e menção a um ex-dirigente de um dos principais departamentos especializados da Polícia Civil de São Paulo.

A apuração ainda está em andamento.