O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 2 de abril, que o Brasil não vai mudar o Pix após críticas registradas em um relatório comercial dos Estados Unidos. Em evento em Salvador, o presidente disse que o sistema “é do Brasil” e declarou que “ninguém vai fazer a gente mudar o Pix”, acrescentando que a ferramenta ainda pode ser aprimorada para atender melhor a população brasileira.
A reação de Lula ocorreu depois da divulgação do relatório de 2026 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR. No trecho dedicado ao Brasil, o documento afirma que o Banco Central “criou, detém, opera e regula o Pix.” e registra que stakeholders norte-americanos demonstraram preocupação com um suposto “tratamento preferencial para Pix”, que, segundo o texto, prejudicaria fornecedores americanos de serviços de pagamento eletrônico. O relatório também diz que o Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas.
O tema não aparece isoladamente no documento anual. Os Estados Unidos já haviam aberto, em 15 de julho de 2025, uma investigação sob a Section 301 sobre práticas comerciais do Brasil ligadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico. No relatório de política comercial publicado pelo próprio USTR em 2026, o governo americano afirma que essa investigação segue em andamento.
O peso do Pix ajuda a explicar por que o sistema entrou no radar da disputa comercial. Em sua página oficial “Pix em números”, o Banco Central informa que a ferramenta já soma mais de 170 milhões de pessoas físicas cadastradas e registrou mais de 7 bilhões de transações em janeiro de 2026.
Ao responder às críticas, Lula transformou uma discussão técnica e comercial em tema político de alta visibilidade. Para o governo brasileiro, o Pix segue como um instrumento nacional de pagamentos instantâneos sob comando do Banco Central. Para o USTR, o modelo brasileiro é alvo de reclamações de empresas dos Estados Unidos que veem possível favorecimento regulatório ao sistema.



