O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, mesmo após a derrota do advogado-geral da União no plenário da Casa.
Segundo aliados, Lula quer reafirmar que a escolha de ministros do STF é uma prerrogativa do presidente da República.
Messias havia sido indicado para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. No fim de abril, porém, o Senado rejeitou o nome do advogado-geral da União por 42 votos contra e 34 a favor. Para ser aprovado, ele precisava de ao menos 41 votos favoráveis.
A decisão de insistir em Messias, se confirmada formalmente, recoloca o Planalto em rota de tensão com o Senado. A primeira rejeição já havia sido tratada como uma derrota política rara para Lula e expôs dificuldades de articulação do governo na Casa.
Segundo a reportagem, pessoas próximas ao presidente avaliam que a derrota teve caráter político contra o governo, e não apenas contra Messias. Aliados também afirmam que Lula considera o chefe da AGU qualificado para ocupar a cadeira no Supremo.
A expectativa é que o novo envio ocorra antes das eleições de outubro. Até agora, porém, a indicação ainda não foi formalizada novamente.
O episódio mantém aberta a disputa pela cadeira de Barroso e prolonga a indefinição sobre a composição do Supremo. Caso Lula reenvie o nome de Messias, o Senado terá novamente papel decisivo no processo.
A nova tentativa também deve testar a relação entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Nos bastidores, a rejeição anterior aumentou o desgaste político entre governo e Congresso.
Antes de insistir em Messias, Lula chegou a discutir a possibilidade de indicar uma mulher para a vaga, segundo a reportagem. A alternativa, porém, perdeu força diante da avaliação de que o presidente deveria manter sua escolha inicial.
Com isso, a disputa deixa de ser apenas sobre a rejeição de Messias e passa a envolver uma queda de braço institucional: de um lado, Lula tenta preservar sua prerrogativa de indicar ministros do STF; de outro, o Senado já demonstrou disposição para barrar o nome escolhido pelo Planalto.



