Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh passaram a ocupar um papel central na nova frente política envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.

Os dois nomes aparecem no contexto de áudios e mensagens divulgados pelo Intercept Brasil. No material, Flávio Bolsonaro trata de pagamentos ligados à produção e cita compromissos com artistas internacionais envolvidos no projeto.

Quem é Jim Caviezel

Jim Caviezel é um ator americano conhecido internacionalmente por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo, filme dirigido por Mel Gibson e lançado em 2004.

Ele também protagonizou Sound of Freedom, produção que teve forte repercussão entre públicos conservadores e religiosos nos Estados Unidos. Além disso, Caviezel estrelou a série Person of Interest, exibida pela CBS, e atuou em filmes como Além da Linha Vermelha, O Conde de Monte Cristo e Frequência.

Em Dark Horse, Caviezel interpreta Jair Bolsonaro. A escolha do ator ajudou a dar ao projeto uma dimensão internacional, especialmente por sua identificação com produções de apelo religioso, conservador e político.

Quem é Cyrus Nowrasteh

Cyrus Nowrasteh é cineasta, roteirista e produtor americano. Ele é o diretor de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro escrito por Mário Frias, ex-secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro e deputado federal pelo PL.

Nowrasteh tem histórico em produções de teor político e religioso. Entre seus trabalhos estão Infidel, suspense político estrelado por Jim Caviezel, e The Stoning of Soraya M., drama baseado em caso real no Irã.

A presença de Nowrasteh no projeto reforça o perfil internacional do filme e aproxima Dark Horse de um circuito de cinema voltado ao público conservador nos Estados Unidos.

Por que eles foram citados no áudio

Os nomes de Caviezel e Nowrasteh aparecem porque Flávio Bolsonaro demonstrou preocupação com pagamentos e compromissos da produção. Segundo a AP, em uma das mensagens de voz divulgadas, Flávio cita Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh ao falar da necessidade de honrar compromissos com pessoas de nome no cinema americano e mundial.

A menção é relevante porque mostra que o filme não era tratado apenas como uma produção política brasileira. O projeto buscava escala internacional, com ator americano no papel de Jair Bolsonaro, diretor estrangeiro e roteiro em inglês.

Esse contexto ajuda a explicar por que a cobrança por repasses a Vorcaro virou um ponto sensível. A produção envolvia nomes internacionais, custos elevados e expectativa de lançamento em momento politicamente estratégico.

A ligação com Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é o dono do Banco Master e personagem central de investigações que envolvem o sistema financeiro, autoridades públicas e possíveis impactos políticos no Brasil.

Segundo reportagens sobre o caso, Flávio Bolsonaro pediu apoio financeiro a Vorcaro para viabilizar Dark Horse. O senador afirma que o pedido envolvia patrocínio privado para um filme privado sobre a história do pai, sem dinheiro público, sem oferta de vantagem ilegal e sem recebimento pessoal de valores.

Ainda assim, a revelação ampliou a dimensão política do caso Banco Master. O ponto central deixou de ser apenas o financiamento de uma produção cinematográfica e passou a envolver a aproximação direta entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Por que isso importa

A presença de Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh mostra que Dark Horse foi pensado como um projeto de alcance internacional, voltado não apenas ao público brasileiro, mas também a uma audiência conservadora fora do país.

O filme sobre Jair Bolsonaro, portanto, aparece no centro de três camadas: cinema, política e financiamento. A primeira envolve os artistas escalados para dar peso internacional à produção. A segunda envolve Flávio Bolsonaro e a imagem política da família. A terceira envolve Daniel Vorcaro, Banco Master e os desdobramentos de uma investigação com impacto institucional no Brasil.