Estados Unidos e Canadá avançaram nas negociações comerciais nesta quarta-feira (19), e Washington passou a discutir a redução de tarifas já existentes sobre veículos, aço e alumínio canadenses. As conversas ocorrem durante a suspensão de três dias das novas tarifas adicionais de 50% anunciadas pelo presidente Donald Trump.

Uma proposta em negociação prevê reduzir de 25% para 15% a tarifa americana sobre carros e caminhões fabricados no Canadá, segundo informações obtidas pela Reuters com uma fonte familiarizada com as conversas. O governo canadense ainda tenta baixar a alíquota para 10%.

A proposta também prevê reduzir de 50% para 25% as tarifas americanas sobre aço e alumínio canadenses. No caso do aço, a taxa menor poderá ser vinculada a um sistema de cotas, enquanto importações acima do limite permaneceriam sujeitas à tarifa maior. Os detalhes ainda estão em negociação e não foram formalizados pelos dois governos.

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Trégua abriu espaço para negociar tarifas já existentes

As possíveis reduções vão além das tarifas adicionais de 50% que motivaram a trégua anunciada por Trump.

Essas novas cobranças deveriam começar à 0h01 de quarta-feira (19), no horário da costa leste dos Estados Unidos. Uma proclamação presidencial transferiu a entrada em vigor para 0h01 de sábado, 22 de agosto, enquanto os dois governos tentam concluir um acordo.

As medidas foram anunciadas em julho com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930 e atingem produtos canadenses ligados a três disputas comerciais: bebidas alcoólicas, produtos lácteos e veículos.

A Casa Branca afirma que políticas canadenses nessas áreas colocam produtos americanos em desvantagem. As proclamações assinadas por Trump estabelecem tarifas adicionais de 50% sobre determinados produtos como resposta às práticas contestadas por Washington.

Canadá sinaliza mudança sobre bebidas americanas

O primeiro-ministro Mark Carney reuniu nesta quarta os chefes de governo das dez províncias canadenses para discutir o andamento das negociações.

Após o encontro, o primeiro-ministro da Nova Escócia, Tim Houston, afirmou que Carney pediu às províncias que se preparem para voltar a vender bebidas alcoólicas americanas. Várias províncias haviam retirado esses produtos das lojas como retaliação às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A mudança, segundo Houston, dependeria da conclusão do acordo. A restrição à venda de bebidas dos Estados Unidos é uma das práticas citadas pela Casa Branca como justificativa para as novas tarifas.

Carros, aço e alumínio entram no centro das negociações

As tarifas setoriais já existentes se tornaram uma das principais peças das conversas.

Atualmente, veículos canadenses estão sujeitos a uma tarifa americana de até 25%, com mecanismos que podem reduzir a cobrança conforme a quantidade de conteúdo produzido nos Estados Unidos. A proposta discutida reduziria a alíquota principal para 15%, antes dessas deduções, o que poderia diminuir ainda mais a taxa efetivamente paga por alguns veículos.

O Canadá pressiona por uma tarifa de 10%. Também permanece em discussão quais componentes de um veículo poderão ser descontados do cálculo: Washington tem defendido considerar apenas conteúdo produzido nos Estados Unidos, enquanto Ottawa busca incluir componentes de toda a América do Norte.

Para aço e alumínio, a proposta relatada prevê reduzir de 50% para 25% as tarifas americanas. As duas cobranças foram impostas anteriormente pelos Estados Unidos com base em legislação de segurança nacional e não fazem parte diretamente das novas tarifas adiadas para sábado.

Lácteos continuam entre os pontos sensíveis

A política canadense para produtos lácteos permanece entre os temas mais delicados.

A Casa Branca acusa o Canadá de conceder tratamento mais favorável a determinados queijos europeus do que a produtos americanos dentro dos sistemas de cotas de importação. A proclamação assinada por Trump em julho cita especificamente essa diferença como justificativa para as tarifas adicionais.

O governo canadense, por outro lado, sinalizou durante as negociações que pretende preservar seu sistema de gestão da oferta agrícola. Assim, os detalhes de qualquer concessão nessa área ainda precisam ser esclarecidos no texto final do acordo.

Prazo continua sendo sábado

Apesar do avanço das conversas, não havia até a noite de quarta-feira um documento final público com todos os termos do acordo.

Trump afirmou que Estados Unidos e Canadá provavelmente chegarão a um entendimento. Carney também disse que os dois países estão avançando em direção a um acordo, mas integrantes do governo canadense afirmaram que ainda há trabalho a fazer.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, tem uma reunião prevista nesta quinta-feira (20), na Casa Branca, com a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, enquanto as negociações continuam.

Se o acordo não for concluído e uma nova decisão não for anunciada, as tarifas adicionais de 50% permanecem programadas para entrar em vigor às 0h01 de sábado (22), no horário da costa leste dos Estados Unidos.