O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera “muito perigoso” o Reino Unido ampliar relações comerciais e estratégicas com a China, em reação direta ao movimento do novo governo britânico para reaproximar Londres de Pequim.

A declaração foi feita enquanto o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, cumpre agenda oficial na China com o objetivo declarado de redefinir e reparar as relações bilaterais, deterioradas nos últimos anos.

MEGAEMBAIXADA CHINESA EM LONDRES ELEVA TENSÃO

A visita de Starmer ocorre após o governo britânico ter aprovado planos controversos da China para construir uma megaembaixada no centro de Londres, decisão que gerou forte reação interna. Parlamentares e críticos afirmaram que o novo complexo diplomático poderia facilitar operações de espionagem chinesas no Reino Unido, argumento rejeitado pelo governo ao autorizar o projeto.

A aprovação do edifício foi interpretada por analistas como um sinal político claro de reaproximação com Pequim, aumentando a sensibilidade do momento diplomático e o desconforto de aliados tradicionais, especialmente os Estados Unidos.

RESET DIPLOMÁTICO ENTRE LONDRES E PEQUIM

Durante a visita, Starmer defendeu uma relação mais pragmática e “sofisticada” com a China, com foco em acesso ao mercado chinês, acordos de investimento e redução de barreiras comerciais. A viagem marca a primeira visita de um primeiro-ministro britânico à China desde 2018.

Entre os anúncios feitos estão a isenção de visto para cidadãos britânicos por até 30 dias e a redução de tarifas chinesas sobre o uísque escocês, um dos principais produtos de exportação do Reino Unido.

REAÇÃO DOS EUA E ALERTA GEOPOLÍTICO

Ao criticar publicamente a aproximação, Trump reforçou a posição de Washington de cautela extrema em relação à China, destacando riscos econômicos e estratégicos. A fala expõe um desalinhamento crescente entre EUA e Reino Unido sobre como lidar com Pequim em um cenário global de rivalidade geopolítica.

Apesar da pressão, o governo britânico sustenta que busca equilibrar suas alianças, mantendo a parceria histórica com os Estados Unidos enquanto amplia sua atuação econômica e diplomática no eixo asiático.