Venezuela afirma estar aberta a negociação com os EUA e anuncia liberação de mais presos

CARACAS – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou que seu governo está disposto a iniciar negociações “sérias” com os Estados Unidos para tratar de temas como combate ao narcotráfico e até investimentos norte-americanos no setor petrolífero venezuelano, mesmo em meio a tensões bi-laterais crescentes e ações militares na região.

Em entrevista transmitida pela televisão estatal e publicada na imprensa internacional por ocasião do Ano-Novo, Maduro disse que Caracas está aberta ao diálogo com Washington, afirmando que o país quer negociar “com fatos em mãos” e que está pronto para discutir cooperação na luta contra o tráfico de drogas.

O presidente venezuelano também citou a continuidade das operações da petroleira Chevron no país como um exemplo de possíveis investimentos americanos no setor energético venezuelano, apesar das sanções que têm prejudicado exportações e agravado a crise econômica.

Maduro, porém, se manteve em silêncio sobre relatos de um ataque americano em um cais venezuelano, supostamente conduzido por forças dos EUA ou da CIA, que teria como objetivo desmantelar infraestruturas associadas ao tráfico de drogas — um episódio mencionado pelo governo de Donald Trump, sem detalhes oficiais completos.

Liberação de detidos após protestos e críticas de ONG

Paralelamente às declarações sobre negociação com Washington, o governo venezuelano anunciou a libertação de 88 pessoas detidas após os protestos que se seguiram às eleições presidenciais de julho de 2024, somando a segunda grande liberação em duas semanas.

Segundo informações oficiais, essas libertações são parte de uma revisão de casos ordenada por Maduro. Entretanto, organizações de direitos humanos contestam os números, afirmando que apenas 55 detentos foram verificados como liberados, e que ainda permanecem cerca de 900 prisioneiros políticos no país.

O governo venezuelano nega a existência de presos políticos, qualificando os detidos como responsáveis por “tentativas de desestabilizar o país”, enquanto críticos internacionais e ONGs continuam a denunciar arbitrários e prisões por motivos políticos.

Contexto das relações Caracas–Washington

A Venezuela e os Estados Unidos vêm enfrentando um período de crescente tensão, com ampliação de sanções americanas, presença militar norte-americana na região do Caribe e a realização de ataques contra embarcações ligadas ao tráfico de drogas, segundo autoridades de Washington.

Apesar desse cenário, o anúncio de Maduro sobre a disposição para negociar abre uma possível janela diplomática, que incluiria não apenas temas de segurança e narcotráfico, mas economia e investimento estrangeiro, áreas críticas para uma nação em profunda crise econômica.

Especialistas apontam que tais declarações podem refletir uma tentativa de reduzir a pressão internacional, reconfigurar a postura venezuelana no cenário global e, eventualmente, aliviar sanções que têm impactado exportações de petróleo e a economia interna — embora detalhes concretos dessas negociações ainda não tenham sido revelados.