O governo interino da Venezuela afirmou neste domingo que permanece unido em torno do presidente Nicolás Maduro, mesmo após sua captura pelos Estados Unidos em uma operação militar que aprofundou a crise política e institucional no país.

Segundo a Reuters, um alto funcionário venezuelano declarou que o governo segue coeso e rejeitou qualquer tentativa de fragmentação interna após a retirada de Maduro de Caracas. O presidente está atualmente detido em Nova York, onde aguarda audiência judicial sob acusações relacionadas ao narcotráfico, de acordo com autoridades norte-americanas.

Apesar da captura, aliados de Maduro continuam no comando da administração em Caracas, e as ruas da capital permaneceram relativamente calmas, embora marcadas por apreensão diante dos próximos desdobramentos.

Em mensagem divulgada pelo partido governista PSUV, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que a unidade do governo está garantida.

“Aqui só há um presidente, cujo nome é Nicolás Maduro Moros. Que ninguém caia nas provocações do inimigo”, declarou, pedindo calma à população.

Imagens de Maduro vendado e algemado durante a operação circularam amplamente e causaram choque no país. A ação foi descrita pela Reuters como a intervenção mais controversa dos Estados Unidos na América Latina desde a invasão do Panamá, há 37 anos.

Após a captura, a Suprema Corte da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse como presidente interina, com aval judicial. Rodríguez, que também ocupa o cargo de ministra do Petróleo, passou a liderar o governo de forma provisória, embora tenha declarado que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

Considerada uma das figuras mais pragmáticas do núcleo do poder venezuelano, Rodríguez tem forte ligação com o setor energético e conhecimento profundo da indústria do petróleo, principal fonte de receita do país. Ainda assim, ela negou publicamente qualquer disposição para cooperar com os Estados Unidos, contrariando declarações feitas por Donald Trump.

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou que Rodríguez “pode pagar um preço maior do que Maduro” caso não colabore com Washington. O governo venezuelano, por sua vez, classificou a detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, como um “sequestro”.

Autoridades venezuelanas também reagiram às declarações de Trump de que grandes empresas petrolíferas dos EUA poderiam atuar no país. Segundo o governo, a ofensiva norte-americana tem como objetivo assumir o controle dos vastos recursos naturais venezuelanos, especialmente o petróleo.

“Estamos indignados porque tudo ficou claro: eles só querem o nosso petróleo”, afirmou Cabello, que mantém vínculos próximos com as Forças Armadas.