O Exército mexicano matou Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), durante uma operação militar no estado de Jalisco, segundo informações confirmadas pelo governo. A morte do narcotraficante desencadeou retaliações violentas em diversos estados do México, com bloqueios de estradas, incêndios e confrontos armados.
De acordo com a Reuters, a operação ocorreu na cidade de Tapalpa (Jalisco) e foi conduzida por forças especiais mexicanas. “El Mencho” foi ferido durante o confronto e morreu sob custódia. O corpo foi transportado para a Cidade do México sob forte escolta da Guarda Nacional.
A ação contou com apoio de inteligência dos Estados Unidos, segundo a Casa Branca. A Reuters informou que uma força-tarefa liderada por militares norte-americanos — focada na coleta de informações sobre cartéis — teve papel no contexto que levou à operação. Autoridades mexicanas, no entanto, afirmaram que não houve participação direta de militares dos EUA em solo mexicano, e que o planejamento e a execução foram conduzidos pelo México.
“El Mencho” era considerado um dos narcotraficantes mais procurados do mundo. Os Estados Unidos ofereciam recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. O CJNG é apontado como um dos principais grupos responsáveis pelo tráfico de drogas sintéticas, incluindo fentanil, para o território norte-americano.
RETALIAÇÕES E CLIMA DE TENSÃO
Após a confirmação da morte do líder do CJNG, ocorreram bloqueios de rodovias, incêndio de veículos e ataques a estabelecimentos comerciais em mais de meia dúzia de estados mexicanos, segundo a Reuters. A Al Jazeera reportou que a violência alcançou pelo menos 20 dos 32 estados do país.
Em Puerto Vallarta, no estado de Jalisco, houve relatos de caos e cancelamento de voos por companhias aéreas como Air Canada, United Airlines, Aeromexico e American Airlines. Autoridades recomendaram que moradores e turistas permanecessem em locais fechados, e em algumas regiões o transporte público foi suspenso.
O estado de Guanajuato informou a ocorrência de 55 incidentes em 23 municípios, com 18 prisões, declarando posteriormente que a situação estava sob controle. A Reuters afirmou que, até o momento da publicação, não havia relatos de mortes de civis relacionadas às retaliações.
A Embaixada dos Estados Unidos no México emitiu alerta de segurança para cidadãos norte-americanos em estados como Jalisco, Tamaulipas, Michoacán, Guerrero e Nuevo León, orientando que permanecessem em áreas protegidas.
PRESSÃO INTERNACIONAL E SOBERANIA
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum reconheceu os episódios de violência, mas declarou que, na maior parte do território nacional, as atividades seguiam com normalidade. A operação ocorre após México afirmar que fortalecerá a cooperação com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, mas destacando a importância da soberania nacional e advertindo contra ações militares unilaterais estrangeiras em território mexicano.
O governo do presidente Donald Trump elogiou a operação. O vice-secretário de Estado Christopher Landau classificou a morte de “El Mencho” como um “grande desenvolvimento”, segundo a Reuters.
CONTEXTO DA COPA DO MUNDO DE 2026
O episódio ocorre em um momento sensível para o México. A cidade de Guadalajara, capital de Jalisco, está entre as sedes da Copa do Mundo de 2026, que será realizada conjuntamente por México, Estados Unidos e Canadá. De acordo com a FIFA, Guadalajara sediará quatro partidas do torneio.
A escalada da violência após a morte de um dos principais chefes do narcotráfico levanta atenção internacional sobre o cenário de segurança no país a poucos meses do evento esportivo global.



