O Irã ampliou significativamente sua ofensiva no Oriente Médio e atingiu diretamente o Catar, provocando um incêndio em uma das principais instalações de gás do mundo e elevando a tensão global a um novo patamar.

O ataque ocorreu contra a cidade industrial de Ras Laffan, principal polo energético do Catar e responsável por uma parcela relevante da oferta global de gás natural liquefeito. Autoridades locais confirmaram que equipes da defesa civil foram mobilizadas para conter o incêndio iniciado após o impacto dos mísseis.

Apesar da gravidade do ataque, a estatal QatarEnergy informou que todo o pessoal foi localizado e que, até o momento, não há registro de vítimas.

O governo do Catar classificou a ação como uma “escalada perigosa”, afirmando que o ataque representa uma violação flagrante de sua soberania e uma ameaça direta à segurança nacional do país.

A ofensiva iraniana ocorre após um ataque contra o campo de gás South Pars, no Irã, amplamente atribuído pela mídia israelense a Israel com consentimento dos Estados Unidos — embora nenhum dos dois países tenha assumido responsabilidade oficial até agora.

Em resposta, o Irã declarou que passaria a considerar instalações de petróleo e gás no Golfo como alvos legítimos. Entre os locais citados estão refinarias e complexos petroquímicos na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e no próprio Catar.

Teerã chegou a emitir um aviso direto para evacuação imediata dessas instalações antes de novos ataques.

A escalada já se espalha por toda a região. A Arábia Saudita afirmou ter interceptado mísseis balísticos lançados em direção à capital, Riad, além de conter uma tentativa de ataque com drone contra uma instalação de gás no leste do país.

Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades disseram que sistemas de defesa aérea enfrentaram múltiplos mísseis e drones vindos do Irã.

Paralelamente, ataques também foram registrados contra alvos em Israel e bases dos Estados Unidos em diversos países do Oriente Médio, incluindo Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait e Arábia Saudita.

O impacto da escalada já é visível no mercado global de energia. O preço do petróleo Brent subiu cerca de 5%, ultrapassando a marca de US$ 108, em meio ao risco de interrupção do fornecimento.

A situação se agrava ainda mais com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente.

A pressão também se reflete no cenário político dos Estados Unidos, onde o aumento no preço do diesel — acima de US$ 5 por galão — intensifica o desgaste interno.

Mesmo sob ataques contínuos, autoridades americanas avaliam que a capacidade militar do Irã foi degradada desde o início do conflito, no fim de fevereiro, mas ainda permanece suficientemente intacta para atingir interesses dos EUA e de seus aliados na região.

Os dados mais recentes indicam que o conflito já deixou mortos em diferentes países do Golfo e ao menos 14 vítimas em Israel. No Irã, organizações de direitos humanos apontam mais de 3.000 mortes desde o início da ofensiva conjunta de EUA e Israel.

A ofensiva contra o Catar marca uma mudança relevante no padrão do conflito, com ataques diretos a infraestrutura energética crítica fora do território iraniano — um movimento que amplia o risco de uma crise global prolongada.