Austrália proíbe redes sociais para menores de 16 anos e inicia debate global sobre segurança digital

A Austrália entrou oficialmente para a história ao se tornar o primeiro país do mundo a proibir o acesso de crianças e adolescentes menores de 16 anos a todas as grandes redes sociais, incluindo Instagram, TikTok, Facebook, Snapchat, Reddit e YouTube. A medida, que entrou em vigor nesta quarta-feira, reacendeu um debate mundial sobre os impactos da vida digital na saúde mental e no desenvolvimento das novas gerações.

O governo australiano afirmou que a decisão busca proteger jovens de riscos como assédio, conteúdos nocivos, manipulação algorítmica e coleta de dados sensíveis. Segundo o primeiro-ministro Anthony Albanese, trata-se de uma resposta a “evidências crescentes” de danos emocionais e cognitivos associados ao uso precoce de plataformas sociais.

Para cumprir a nova lei, as empresas de tecnologia serão obrigadas a verificar a idade real dos usuários por meio de sistemas robustos de identificação. Plataformas que não se adequarem podem ser multadas. Especialistas locais afirmam que o país está criando um dos sistemas de regulamentação digital mais rígidos do mundo.

A reação entre os jovens foi imediata. Reportagem da Reuters destacou que muitos adolescentes descreveram a mudança como “o fim de uma era” e relataram sensação de isolamento ao perder subitamente o acesso às plataformas. Já grupos de pais celebraram a decisão, argumentando que o ambiente digital se tornou “incontrolável” e “altamente prejudicial”.

Dados citados pela imprensa australiana reforçam a preocupação. Pesquisas mostram que mais de 80% dos adolescentes do país já haviam relatado algum tipo de impacto negativo relacionado ao uso de redes sociais, incluindo ansiedade, queda no rendimento escolar e problemas de autoestima.

A medida também acendeu um alerta global. Segundo análise da CNBC, governos de outros países estão observando o caso australiano como um possível modelo para futuras legislações de proteção a menores. O New York Post destacou que a iniciativa é vista como “um experimento mundial” no combate aos danos digitais.

Empresas de tecnologia ainda avaliam como se adaptarão à nova legislação. Plataformas como Meta, TikTok e Google não se pronunciaram em detalhes sobre suas estratégias, mas organizações australianas de segurança digital afirmaram que a transição deve ser complexa, especialmente pela necessidade de implementar ferramentas de verificação que respeitem a privacidade de usuários.

Para especialistas, o impacto real da proibição será percebido nos próximos meses. Entre pais e educadores, a expectativa é de que a medida reduza exposição a riscos imediatos — mas também gere desafios para manter jovens conectados a atividades sociais, culturais e escolares que hoje passam pelas plataformas digitais.

Enquanto isso, o país se torna um laboratório global para entender até onde governos podem — e devem — interferir na relação de crianças e adolescentes com o ambiente digital.