A China, maior emissora de gases de efeito estufa do mundo em termos absolutos, pode estar se aproximando do pico de suas emissões de carbono. Análises independentes indicam que esse ponto máximo pode ser alcançado até 2030, em linha com o compromisso oficial assumido pelo governo chinês em fóruns internacionais.

O país declarou que pretende atingir o pico de emissões antes do fim da década e alcançar a neutralidade de carbono até 2060. Paralelamente, a China passou a liderar, com folga, os investimentos globais em transição energética. Em 2025, o país investiu cerca de US$ 800 bilhões em energia limpa, redes elétricas e eletrificação, segundo dados da BloombergNEF, respondendo por mais de um terço do investimento mundial no setor.

Nos últimos anos, esse volume de recursos impulsionou a rápida expansão da capacidade instalada de energia solar, eólica e infraestrutura de redes, consolidando a China como o maior mercado global de transição energética. Ainda assim, avaliações técnicas indicam que o ritmo atual de investimento não garante uma queda rápida das emissões após o pico.

De acordo com o Climate Action Tracker, mesmo que o volume máximo de emissões seja alcançado até 2030, a trajetória posterior tende a ser de redução gradual lenta, e não de queda acentuada. Um dos principais fatores por trás dessa dinâmica é a dependência estrutural do carvão.

Segundo a Agência Internacional de Energia, o carvão segue desempenhando papel central na matriz elétrica chinesa, sendo tratado como elemento de segurança energética. A expansão das fontes renováveis ocorre em paralelo à manutenção da capacidade instalada a carvão, e não como substituição imediata.

Reportagens recentes da Reuters mostram que a China continua aprovando e planejando novos projetos de geração a carvão, mesmo enquanto amplia sua infraestrutura de energia limpa. Esse modelo contribui para o risco de um platô prolongado nas emissões após o pico, mantendo os níveis elevados por mais tempo.

Do ponto de vista científico, atingir o pico de emissões não significa alívio climático imediato. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) destaca que a temperatura média global responde ao acúmulo histórico de dióxido de carbono na atmosfera, e não apenas às emissões anuais. Isso significa que, mesmo com a estabilização ou queda gradual das emissões chinesas, o aquecimento global pode continuar por décadas.

Por esse motivo, analistas consideram que o momento do pico é menos decisivo do que a velocidade e a profundidade da redução posterior. Dada a participação da China nas emissões globais, sua trajetória energética nas próximas décadas é vista como um dos fatores mais determinantes para o equilíbrio climático do planeta.