A geração de energia eólica e solar superou os combustíveis fósseis na matriz elétrica da União Europeia em 2025, marcando um ponto de virada histórico na transição energética do bloco. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira por um estudo do think tank Ember, publicado pela Reuters.
Segundo o levantamento, eólica e solar responderam juntas por 30% da eletricidade gerada na UE, enquanto todas as fontes fósseis somadas ficaram em 29%. É a primeira vez que as duas fontes renováveis superam carvão, gás e petróleo combinados em um ano completo.
Eólica e solar avançam, fósseis perdem espaço
O crescimento foi puxado principalmente pela expansão contínua da energia solar e pelo desempenho da geração eólica.
• Energia solar: 13% da eletricidade da UE em 2025
• Energia eólica: 17% da geração total
• Combustíveis fósseis (carvão, gás e óleo): 29%
De forma isolada, a energia eólica superou a geração a gás, reforçando a mudança estrutural na matriz elétrica europeia.
Quando consideradas todas as fontes renováveis, incluindo a hidrelétrica, as energias limpas alcançaram 48% da eletricidade produzida no bloco.
Carvão atinge mínima histórica
O relatório aponta que o carvão caiu para apenas 9,2% da geração elétrica, o menor patamar já registrado na União Europeia. O declínio consolida uma tendência de vários anos e aprofunda o distanciamento da fonte mais poluente do sistema elétrico europeu.
Em 2024, a energia solar já havia superado o carvão pela primeira vez. Em 2025, o avanço das renováveis ampliou essa diferença.
Mudança se espalha pelos países do bloco
O relatório mostra que 14 países da União Europeia já geraram mais eletricidade a partir de eólica e solar do que de todas as fontes fósseis combinadas, indicando que a transição não está restrita a poucos mercados, mas se espalha de forma desigual pelo continente.
Para analistas, o dado sugere que a substituição estrutural dos combustíveis fósseis está em curso, ainda que desafios técnicos e climáticos persistam.
Segundo Beatrice Petrovich, analista sênior da Ember, o avanço das renováveis tem implicações que vão além do clima.
“À medida que a dependência de combustíveis fósseis alimenta a instabilidade global, a transição para energia limpa se torna cada vez mais evidente como uma escolha estratégica”, afirmou à Reuters.



