Donald Trump afirmou nesta terça-feira, 21 de abril, que não quer estender o cessar-fogo com o Irã, aumentando a pressão sobre uma possível nova rodada de negociações entre os dois países. A declaração foi dada em entrevista à CNBC e ocorre justamente quando a trégua entra em sua fase mais sensível, sem que Teerã tenha confirmado oficialmente participação em conversas previstas para Islamabad, no Paquistão.
O novo posicionamento da Casa Branca muda o tom da cobertura nas últimas horas porque desloca o foco de uma eventual retomada diplomática para a possibilidade concreta de fracasso das negociações. Até esta terça, o cenário ainda era de expectativa por uma reunião mediada pelo Paquistão, mas a ausência de confirmação iraniana e a fala mais dura de Trump aumentaram a incerteza sobre o que pode acontecer quando o prazo da trégua se encerrar.
Segundo a Reuters, o vice-presidente JD Vance era esperado como chefe da delegação americana, mas seguia em Washington em meio a reuniões adicionais. Do lado iraniano, o impasse foi reforçado por sinais públicos de desconfiança em relação a Washington. A Associated Press relatou que negociadores iranianos indicaram não aceitar conversas sob ameaça, enquanto o porta-voz do governo iraniano classificou ações recentes dos EUA no mar como “piracy at sea” e “state terrorism”, após a abordagem de um petroleiro e a apreensão de outro navio iraniano.
A deterioração diplomática tem efeito imediato sobre o Estreito de Ormuz, principal gargalo energético do planeta. A Reuters informou que apenas três embarcações passaram pela rota nas últimas 24 horas, muito abaixo da média diária de cerca de 140 navios antes da escalada do conflito. A via é estratégica porque responde por cerca de 20% do transporte global de petróleo e gás, e a nova paralisia já deixou centenas de navios e cerca de 20 mil marítimos presos dentro do Golfo.
O impacto também já aparece no mercado. Com o temor de que o cessar-fogo termine sem acordo político, o petróleo disparou nesta terça-feira. O barril do Brent subiu para US$ 99,78, enquanto o WTI avançou para US$ 94,36, refletindo o receio de novos ataques e de uma crise mais longa no fluxo energético global.
Neste momento, o ponto central é que a guerra volta a ficar mais próxima de uma nova escalada justamente quando a mediação diplomática parecia ganhar algum espaço. Sem confirmação formal do Irã sobre a ida a Islamabad e com Trump descartando publicamente a extensão da trégua, as próximas horas passam a ser decisivas não apenas para o destino das negociações, mas também para o petróleo, a navegação em Ormuz e o nível de tensão no Oriente Médio.



