
Política
Tensão EUA–Venezuela escala: bastidores de uma estratégia de pressão com múltiplos objetivos
09 de dezembro de 2025 • 4 min de leitura
Contexto e avanços recentes
A tensão entre Estados Unidos e Venezuela escalou de forma significativa nos últimos meses, impulsionada por ataques militares americanos a embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico e por declarações cada vez mais assertivas do presidente Donald Trump. As operações, justificadas como parte de uma ofensiva contra redes de narcotráfico, colocam a Venezuela no centro de uma crise geopolítica renovada e despertam preocupação internacional sobre os rumos da estratégia de Washington.
Desde setembro de 2025, os EUA intensificaram ataques a barcos que afirmam estar vinculados a grupos criminosos associados a Caracas. As operações resultaram em dezenas de mortes e levantaram questionamentos sobre a legalidade das ações em águas internacionais. Especialistas em direito internacional alertam que alguns ataques, especialmente os desferidos contra sobreviventes após a destruição inicial das embarcações, podem violar normas de guerra e direitos humanos.
Na última semana, Trump evitou descartar o envio de tropas americanas à Venezuela, ampliando a percepção de que a crise pode evoluir para um cenário de maior confrontação. A declaração adicionou peso à ofensiva marítima e reforçou a incerteza sobre os próximos passos de Washington.
O que os EUA dizem como justificativa — e as críticas que pesam
O governo americano afirma que os ataques têm como alvo embarcações usadas por redes de narcotráfico e que representam, segundo Washington, uma ameaça direta à segurança dos Estados Unidos. A retórica se apoia na ideia de “narcoterrorismo”, termo que tem sido recorrente na administração Trump para justificar ações militares de maior intensidade.
Contudo, organismos internacionais e entidades de direitos humanos expressam preocupação crescente. Peritos da ONU classificaram algumas das ações como potenciais execuções extrajudiciais, ressaltando a falta de transparência e a ausência de provas públicas robustas sobre as acusações de narcotráfico. Especialistas alertam que operações desse tipo, em águas internacionais, podem violar princípios fundamentais do direito humanitário.
Parlamentares americanos também pressionam por mais informações, exigindo divulgação de vídeos e relatórios completos que esclareçam o procedimento adotado nos ataques.
Por que Washington realmente estaria agindo agora — os bastidores e interesses estratégicos
Embora a justificativa principal seja o combate ao narcotráfico, analistas e diplomatas observam que a operação cumpre objetivos mais amplos. A campanha militar aumenta a pressão sobre o governo Nicolás Maduro e fortalece a posição de Washington em um momento de tensão política na Venezuela.
Fontes consultadas por veículos internacionais indicam que membros da administração Trump discutiram internamente cenários para lidar com um eventual enfraquecimento do regime. Além disso, a decisão de classificar grupos venezuelanos como organizações terroristas amplia o espaço legal e político para ações mais assertivas.
A retórica crescente, somada ao aumento de operações militares, sugere que os EUA buscam não apenas interromper fluxos ilícitos, mas também reposicionar sua influência estratégica na região.
Riscos e consequências — para a região e para a comunidade internacional
A escalada já provoca impactos diretos. A Venezuela intensificou o patrulhamento costeiro e anunciou investigações internas após os ataques. Países da América Latina observam o conflito com apreensão, temendo que um erro de cálculo leve a um confronto aberto.
Especialistas apontam que, caso a crise escale para ações terrestres ou incursões diretas, o hemisfério pode enfrentar sua maior tensão militar em décadas. A ausência de mecanismos multilaterais atuantes para mediar o conflito aumenta ainda mais a incerteza.
Além disso, a forma como os EUA têm conduzido as operações cria precedentes sensíveis para o uso unilateral da força em nome do combate ao crime transnacional.
Análise — o que está em jogo e por que isso importa para o mundo
A ofensiva americana revela um dilema central da política internacional contemporânea: até onde é possível estender ações militares sob o argumento de combate ao narcotráfico sem romper os limites do direito internacional?
Ao adotar termos como “narcoterrorismo” e executar operações letais em águas internacionais, Washington redefine as fronteiras entre segurança, diplomacia e intervenção. O caso EUA–Venezuela passa a simbolizar um novo tipo de crise hemisférica, no qual objetivos estratégicos, disputas de influência e normas internacionais se cruzam em um cenário volátil.
Para o público global e regional, a crise merece atenção máxima: cada novo ataque, cada declaração ambígua e cada operação ampliada aumenta o risco de uma escalada que pode alterar o equilíbrio geopolítico da América Latina nos próximos meses.
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