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Crise EUA x Venezuela se aprofunda: apreensão de petroleiro, navios sob risco e apoio direto de Putin a Maduro

11 de dezembro de 20255 min de leitura

A tensão entre Estados Unidos e Venezuela deu mais um salto nas últimas 48 horas, depois que forças americanas apreenderam um superpetroleiro carregado de crude venezuelano no Caribe, em operação anunciada pelo presidente Donald Trump. O movimento elevou o preço do petróleo e abriu uma nova fase na crise, com dezenas de navios sob risco de apreensão. Aliados de Nicolás Maduro — especialmente Rússia e Belarus — se movem para sinalizar que ele não está isolado.

Apreensão no Caribe: o que se sabe sobre o Skipper

Segundo autoridades americanas, o navio apreendido é o superpetroleiro Skipper, um VLCC sancionado pelo Tesouro dos EUA em 2022 por ligação com redes de transporte associadas ao Irã e ao Hezbollah.

Documentos citados pela imprensa internacional indicam que o Skipper:

• havia operado anteriormente sob o nome Adisa;

• transportava entre 1,8 e 2 milhões de barris de petróleo pesado venezuelano, parte destinados a Cuba;

• teria hasteado falsamente a bandeira da Guiana, segundo autoridades do país vizinho.

A operação ocorreu em 10 de dezembro, no mar do Caribe, e envolveu helicópteros, agentes da Guarda Costeira, fuzileiros navais e forças especiais que decolaram do porta-aviões USS Gerald R. Ford.

Trump chamou o Skipper de “o maior navio já apreendido pelos EUA” e sugeriu que Washington pretende manter o petróleo confiscado.

Reação de Caracas: “roubo”, “pirataria” e denúncia internacional

O governo venezuelano classificou a apreensão como:

“roubo descarado” de recursos;

“ato de pirataria internacional”;

• violação de soberania a ser denunciada em fóruns multilaterais.

Caracas afirma que os EUA usam o discurso de combate ao “narcoterrorismo” para avançar rumo a um bloqueio econômico de fato, narrativa sustentada desde o início da ofensiva naval americana no Caribe.

Mais de 30 navios sob risco: o efeito cascata nas exportações

A apreensão abriu um ponto crítico no fluxo de petróleo venezuelano:

• mais de 80 navios estão na costa venezuelana ou áreas próximas;

• ao menos 30 são embarcações sancionadas e podem sofrer o mesmo destino;

• a maioria integra a shadow fleet, frota que opera com pouca transparência e troca constante de bandeiras.

Analistas apontam que, caso os EUA ampliem as ações:

• haverá atrasos nas exportações;

• o risco para armadores aumentará;

• Caracas enfrentará maior dificuldade para escoar o petróleo que sustenta sua economia.

Impacto no mercado de petróleo: tensão sobre um mercado já pressionado

A crise ocorre em meio à guerra na Ucrânia e ao impacto de sanções. A Agência Internacional de Energia (IEA) reduziu a projeção de superávit de oferta global para 2026, citando restrições sobre Rússia e Venezuela.

Na prática:

• diminui a “folga” para absorver choques geopolíticos;

• qualquer ameaça ao fluxo de barris venezuelanos e russos pesa no preço;

a apreensão do Skipper passa a ser vista como parte de uma estratégia maior de pressão.

Após a operação, o Brent subiu antes de voltar a oscilar, influenciado por tratativas sobre a guerra na Ucrânia.

Putin liga para Maduro e reforça apoio russo

Um dia após a apreensão, Vladimir Putin telefonou para Nicolás Maduro e reafirmou apoio ao governo venezuelano. De acordo com declarações oficiais, os dois líderes discutiram a implementação de acordos estratégicos firmados ao longo de 2025, especialmente nas áreas de energia e cooperação econômica, e enquadraram a crise como consequência direta do aumento da presença militar americana no Caribe.

Para Moscou, o episódio se conecta à disputa geopolítica mais ampla com Washington. Para Caracas, trata-se de reforçar internamente a narrativa de que Maduro segue respaldado por potências globais.

Belarus entra em cena e aumenta especulações sobre o futuro político de Maduro

Em Minsk, o presidente Alexander Lukashenko recebeu o embaixador venezuelano pela segunda vez em menos de três semanas, gesto que alimentou especulações sobre possíveis cenários de transição. Informações de bastidores indicam que Maduro teria mencionado, em conversas recentes com autoridades americanas, a possibilidade de deixar o poder caso recebesse garantias de proteção para si e para sua família — o que poderia incluir exílio em países aliados, como Rússia ou Belarus.

Lukashenko já declarou publicamente que Maduro seria “bem-vindo” no país, enquanto Caracas mantém silêncio sobre eventuais discussões dessa natureza.

Maduro em tom de “reggae”: pedido público de calma

Em meio à escalada militar e diplomática, Maduro buscou disputar a narrativa interna. Em ato com apoiadores, citou a canção “Don’t Worry, Be Happy” e pediu que a população mantenha calma diante das tensões com os Estados Unidos. A cena viralizou nas redes sociais e contrastou com o aumento da pressão militar na região, incluindo o sobrevoo de aeronaves americanas no Golfo da Venezuela.

De um lado, forças especiais apreendem um superpetroleiro e os EUA ampliam sua presença no Caribe. De outro, Maduro canta, pede paz e tenta transmitir normalidade diante de um cenário cada vez mais complexo.

O que observar nos próximos dias

1. Possibilidade de novas apreensões

Se os EUA passarem a atuar de forma recorrente contra a shadow fleet, o impacto econômico sobre a Venezuela pode ser significativo e rápido.

2. Até onde vai o apoio russo

Embora Putin tenha reforçado apoio político e diplomático, permanece incerta a disposição da Rússia em ampliar assistência militar ou tecnológica à Venezuela em meio à própria pressão internacional.

3. Cenários de negociação e transição

Movimentos diplomáticos envolvendo Belarus e conversas reservadas relatadas por fontes internacionais indicam que há discussões sobre possíveis saídas para Maduro, embora nenhum avanço concreto tenha sido confirmado.

A crise entre Estados Unidos e Venezuela entra agora em sua fase mais imprevisível: um superpetroleiro apreendido, dezenas de embarcações sob ameaça, oscilações no mercado global de energia e grandes potências se posicionando de forma explícita em torno de Caracas. Os próximos capítulos devem mostrar até onde Washington pretende ir — e até que ponto Rússia e aliados estão dispostos a sustentar Maduro neste novo momento da disputa.

Publicado por Redação Trendahora • Política