Situação de Bolsonaro hoje: condenado, com pena em execução e preso em Brasília
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão em regime inicial fechado por participação em uma tentativa de golpe de Estado e outros crimes ligados aos atos e à trama que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Ao longo de 2025, o ex-presidente chegou a cumprir medidas cautelares em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Em 22 de novembro, porém, a Polícia Federal prendeu Bolsonaro preventivamente, após suspeita de violação dessas medidas. Dias depois, em decisão de 25 de novembro, o ministro Alexandre de Moraes considerou esgotadas as possibilidades de recurso e determinou que a prisão preventiva se convertesse em cumprimento definitivo da pena, em regime inicial fechado. Bolsonaro segue custodiado em unidade da PF em Brasília.
Na prática, isso significa que:
• a condenação de 27 anos e 3 meses está valendo de forma definitiva
• o regime inicial é fechado, em presídio federal
• pedidos da defesa hoje se concentram em questões como condições de saúde, eventual prisão domiciliar humanitária e possibilidade de cirurgias e tratamentos médicos fora da unidade prisional
É a partir desse cenário já consolidado que entra em cena o chamado PL da dosimetria.
O que é o PL da dosimetria e por que ele impacta diretamente Bolsonaro
O “PL da dosimetria” é um projeto de lei que altera a forma de calcular as penas em crimes contra o Estado Democrático de Direito, previstos na Lei 14.197/2021 – a mesma lei de crimes contra a democracia sancionada à época pelo próprio Bolsonaro quando ainda era presidente.
O texto aprovado na Câmara dos Deputados, por 291 votos a 148, muda dois pontos centrais:
Soma das penas
Hoje, para casos como tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, as penas podem ser somadas, resultando em condenações muito altas.
O projeto aprovado determina que, nesses casos específicos, deve prevalecer apenas a pena mais grave, e não a soma de todas.
Progressão de regime
Antes, condenados por esses crimes precisavam cumprir, em geral, 25% da pena para progredir de regime – percentual mais duro do que o exigido para outros crimes.
O PL reduz essa exigência, unificando em 16% a fração necessária para progressão, aproximando esses crimes de outros previstos na legislação penal.
Como a lei penal mais benéfica pode retroagir, se o projeto for aprovado também no Senado e virar lei, ela passará a valer para todos os condenados por esses crimes – inclusive Bolsonaro e outras figuras do núcleo golpista condenadas pelo STF.
Quanto a pena de Bolsonaro pode cair? O que dizem as projeções
Até o momento, não há um novo cálculo oficial do STF para a pena de Bolsonaro. O que existe são projeções feitas por especialistas, parlamentares e veículos de imprensa, com base no texto aprovado na Câmara.
Alguns pontos em comum entre essas análises:
• Bolsonaro hoje tem pena total de 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado
• parte dessa pena resulta da soma de condenações por crimes contra o Estado Democrático de Direito
• com o PL da dosimetria, a tendência é que passe a valer apenas a pena mais alta entre esses crimes, reduzindo a pena total
• a redução da fração de progressão (de 25% para 16%) encurta o tempo mínimo em regime fechado
Estimativas citadas por parlamentares e por veículos como Agência Brasil, Correio Braziliense e Veja indicam, de forma aproximada:
• queda da pena total para algo na faixa de 20 a 22 anos
• redução do tempo mínimo em regime fechado, que poderia cair de mais de 6 anos para algo em torno de 2 a 3 anos, dependendo do cálculo do STF, da conduta carcerária e de eventuais remições por trabalho e estudo
É importante frisar que:
• são projeções, não decisões do STF
• o cálculo definitivo só será feito se o projeto virar lei
• a aplicação não será automática – as defesas terão de pedir adequação das penas
Bolsonaro pode sair da prisão em pouco mais de dois anos?
Algumas análises internacionais e nacionais apontam que, em um cenário de aplicação máxima dos benefícios previstos no PL e da remição de pena, Bolsonaro poderia cumprir pouco mais de dois anos em regime fechado antes de progredir.
O ponto central aqui é que o tempo em regime fechado dependerá de:
• qual será a pena final recalculada pelo STF
• percentual mínimo de cumprimento (16% da pena)
• conduta dentro do presídio
• dias remidos por trabalho e estudo
• decisões da Vara de Execuções Penais e do próprio Supremo
Ou seja: existe um cenário possível de saída antecipada, mas ainda não é um fato — é uma possibilidade jurídica aberta pelo texto aprovado na Câmara.
O que já está decidido x o que ainda pode mudar
Para organizar, de forma cronológica:
O que já está decidido
• 8 de janeiro de 2023: ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília
• 2023–2024: investigações avançam no STF e na Polícia Federal sobre a trama golpista
• 11 de setembro de 2025: Bolsonaro é condenado a 27 anos e 3 meses em regime inicial fechado
• 22 de novembro de 2025: PF prende Bolsonaro preventivamente por descumprimento de medidas cautelares
• 25 de novembro de 2025: Moraes declara trânsito em julgado e converte prisão em cumprimento definitivo da pena
• 10 de dezembro de 2025: Câmara aprova o PL da dosimetria por 291 votos a 148
O que ainda pode mudar
• o projeto segue agora para o Senado, sob relatoria de Esperidião Amin
• Davi Alcolumbre sinalizou que pretende votar o projeto ainda em 2025
• Lula pode vetar o texto, total ou parcialmente
• mesmo com veto, o Congresso pode derrubar e fazer a lei entrar em vigor
• só após virar lei o STF poderá recalcular a pena de Bolsonaro e dos demais condenados
Impacto para outros condenados do 8 de janeiro
O PL da dosimetria atinge todos os condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe: ex-ministros, militares, ex-assessores e manifestantes que participaram das invasões.
A mudança tende a:
• reduzir penas que foram formadas por somas de crimes
• encurtar o período mínimo em regime fechado
• abrir espaço para novos pedidos de revisão e adequação de penas com base na lei mais benéfica
O que observar nos próximos dias
• andamento do PL no Senado (relatório da CCJ e votação em plenário)
• definição de Lula sobre a sanção ou veto
• eventuais decisões do STF sobre pedidos da defesa de Bolsonaro
• movimentações políticas sobre “anistia branca”, “pacificação” e impacto no sistema penal
Por enquanto, o quadro é o seguinte: Bolsonaro segue preso, com a condenação de 27 anos e 3 meses já em execução. O PL da dosimetria cria a possibilidade de redução dessa pena e de encurtamento do regime fechado, mas os efeitos concretos dependem do Senado, da decisão de Lula e, por fim, de como o STF aplicará a nova lei.



