O governo interino da Venezuela concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto aos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira o presidente dos EUA, Donald Trump. A transferência ocorrerá após meses de pressão dos norte-americanos sobre Caracas, intensificadas pela recente intervenção militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.

Segundo Trump, o petróleo será vendido a preço de mercado e os recursos arrecadados serão geridos por sua administração com o objetivo de beneficiar tanto o povo venezuelano quanto o americano. A transação representa uma mudança significativa na geopolítica energética da região, em meio ao bloqueio imposto às exportações venezuelanas que havia interrompido o fluxo para mercados internacionais, especialmente o chinês.

O anúncio surge num contexto de negociações entre autoridades de Caracas e Washington sobre a exportação de petróleo venezuelano para refinarias nos EUA, que poderia redirecionar volumes antes destinados à China e ajudar a estatal PDVSA a evitar quedas ainda maiores na produção devido à saturação de armazenamento.

Impacto no mercado global

A notícia afetou os preços do petróleo: o índice West Texas Intermediate (WTI) registrou queda superior a 1 % após o anúncio, com analistas observando que a perspectiva de maior fluxo de petróleo venezuelano contribuiu para a pressão descendente nos mercados.

Especialistas ressaltam, porém, que embora a redistribuição do petróleo venezuelano possa influenciar mercados regionais, em um cenário global marcado por oferta abundante, o efeito imediato sobre os preços pode ser limitado.

Contexto geopolítico e energético

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, mas sua produção efetiva tem se mantido em níveis historicamente baixos devido a décadas de má administração, sanções e falta de investimentos estrangeiros.

A ação de Trump é parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para exercer influência sobre o setor energético venezuelano após a derrubada de Maduro, que incluiu sanções, bloqueios e tentativas de reorganização da política interna do país.

Analistas também alertam que, apesar do acordo de entrega de petróleo, a recuperação da produção venezuelana exigirá investimentos massivos em infraestrutura e um ambiente político estável, além de possíveis mudanças nas sanções ainda em vigor.