Após 25 anos de negociações, o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul deu um passo decisivo nesta sexta-feira (9). Países do bloco europeu aprovaram provisoriamente o avanço do tratado, abrindo caminho para a assinatura formal prevista para janeiro de 2026. O Brasil aparece como um dos maiores beneficiados, especialmente no agronegócio.

Resumo rápido:

- UE aprovou avanço do acordo UE-Mercosul

- Assinatura prevista para 17 de janeiro de 2026

- Comércio envolvido gira em torno de €111 bilhões

- Brasil é o maior beneficiado, sobretudo no agronegócio

- Protestos de agricultores europeus seguem pressionando governos

O que foi aprovado agora

A aprovação ocorreu por maioria qualificada entre os países da União Europeia. Foram 21 votos favoráveis, 5 contrários e 1 abstenção. Com isso, o acordo pode seguir para a assinatura formal, prevista para 17 de janeiro de 2026, no Paraguai.

Mesmo com o avanço, o tratado ainda não entra em vigor automaticamente. Ele precisará passar por ratificação no Parlamento Europeu e também pelos parlamentos dos países do Mercosul.

Por que o acordo é considerado histórico

O acordo UE-Mercosul busca ampliar um fluxo comercial que movimentou cerca de €111 bilhões em 2024, consolidando uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo.

Um dos principais pontos é a eliminação de tarifas de importação para produtos do Mercosul vendidos ao mercado europeu. Entre eles estão café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais; itens nos quais o Brasil tem forte competitividade.

Análises econômicas citadas pela imprensa indicam que cerca de 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul à UE terão tarifas zeradas.

Impacto direto para o Brasil

O Brasil é apontado como principal beneficiário do acordo, sobretudo no setor do agronegócio. A abertura do mercado europeu tende a ampliar o acesso de produtos brasileiros com menor custo e maior competitividade.

Projeções mencionadas em análises econômicas indicam que o acordo pode gerar um crescimento acumulado de até 0,46% no PIB brasileiro até 2040, percentual superior ao estimado para a própria União Europeia.

Para o setor produtivo, o acordo representa:

- Redução de barreiras tarifárias

- Maior previsibilidade comercial

- Ampliação de mercados para exportação

Resistência e protestos na Europa

Apesar da aprovação, o acordo enfrenta forte resistência política e social em alguns países europeus. França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda votaram contra o avanço do tratado.

Na França, agricultores organizaram protestos com bloqueio de estradas, alegando risco de concorrência desleal com produtos do Mercosul, que chegam ao mercado europeu com custos mais baixos.

Salvaguardas e mecanismos de proteção

Para contornar as críticas, a União Europeia incluiu mecanismos de salvaguarda no acordo. Entre eles:

- Possibilidade de reintrodução de tarifas se houver aumento excessivo de importações

- Medidas para proteger preços internos e produtores locais

- Exigência de que produtos importados cumpram normas sanitárias e ambientais europeias

Esses pontos foram decisivos para viabilizar o apoio da maioria dos países do bloco.

O que acontece a partir de agora

Com a aprovação provisória:

- O acordo segue para assinatura formal

- Depois, passa por processo de ratificação legislativa

- Só então poderá entrar em vigor de forma plena

Até lá, o tratado continuará no centro do debate político, especialmente na Europa, onde a resistência de setores agrícolas segue forte.