WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a intensificar sua retórica de política externa, expandindo além da Venezuela as declarações sobre possíveis intervenções estrangeiras com o objetivo oficial de conter adversários globais e “proteger interesses estratégicos” dos EUA. As recentes declarações públicas e posicionamentos oficiais indicam dois focos principais: Irã e Groenlândia, cada um com implicações geopolíticas distintas e profundas.

Trump ameaça ação contra o Irã em meio a protestos populares

Trump tem feito advertências severas ao regime iraniano diante dos protestos em massa que se espalham pelo país devido a uma grave crise econômica, que já levou a uma repressão violenta por parte das autoridades de Teerã.

- O presidente americano declarou que os EUA interviriam caso forças de segurança iranianas reprimam violentamente protestos pacíficos, afirmando que o Irã seria “atingido com muita força” se matar manifestantes.

- Essa ameaça ocorre enquanto o Irã enfrenta um dos maiores movimentos populares em anos, com relatos de dezenas de mortes e um bloqueio generalizado da internet pelo governo iraniano para conter a divulgação de imagens e informações.

- Autoridades em Teerã, incluindo o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, reagiram fortemente, acusando os EUA de incitar agitação interna e afirmando que não recuarão diante da pressão externa.

Analistas ressaltam que, embora Trump tenha condicionado qualquer ação a uma repressão violenta contra manifestantes, essa postura eleva a tensão entre Washington e Teerã em um momento de instabilidade política dentro do próprio Irã.

Estratégia no Ártico: Trump afirma que os EUA “precisam” de Groenlândia para deter Rússia e China

Paralelamente, Trump retomou e amplificou as declarações sobre a necessidade dos EUA controlarem a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, com justificativas centradas em segurança nacional para conter a influência de Rússia e China na região do Ártico.

- Em pronunciamentos públicos, Trump disse que os EUA precisam “possuí-la” para evitar que Rússia ou China o façam, sugerindo que “fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil” estaria sobre a mesa, frase que foi interpretada por observadores como uma referência velada ao uso de força.

- Discussões internas da administração incluem opções que vão desde compra direta — como oferecer pagamentos a cada residente de até US$100.000 — até, possivelmente, ações mais agressivas, embora o governo também afirme que prefere soluções diplomáticas.

- A proposta gerou reação internacional: líderes europeus e aliados da OTAN rechaçaram a ideia de anexação e advertiram que qualquer ação militar poderia fragilizar a aliança e provocar uma crise diplomática com a Dinamarca.

A Groenlândia possui posição geoestratégica crucial no Ártico e abriga importantes bases militares, o que tem sido citado por Trump como elemento central de sua estratégia de conter rivalidades com potências como Rússia e China no “novo grande teatro geopolítico” do século XXI.

Repercussões e contexto global

As declarações de Trump sobre Irã e Groenlândia adicionam uma nova camada à política externa americana já marcada por intervenção militar direta na Venezuela no início de janeiro de 2026 — operação que levou à captura do presidente Nicolás Maduro e intensificou debates sobre o papel dos EUA no mundo.

- A cobertura da Rússia, da China e de aliados europeus tem interpretado o conjunto dessas ações como uma possível virada para uma postura externa mais assertiva e unilateral em Washington, com impactos potenciais em alianças tradicionais e nas dinâmicas de poder em múltiplos continentes.