Resumo
O Irã enfrenta, desde o fim de dezembro, uma nova onda de protestos de grande escala, com centenas de mortos, milhares de detidos e bloqueios de internet. As manifestações, que começaram por motivos econômicos, evoluíram para um desafio direto ao regime, enquanto o governo intensifica a repressão e emite alertas contra interferência externa.
Quando e por que os protestos começaram
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro de 2025, impulsionados por alta de preços, inflação elevada, desvalorização da moeda e deterioração das condições econômicas. Com o avanço das manifestações, as reivindicações passaram a incluir críticas mais amplas ao governo e à liderança clerical, segundo análises citadas por veículos internacionais.
Escala nacional das manifestações
As mobilizações se espalharam rapidamente e atingiram todas as 31 províncias do país, com registros de protestos em diferentes cidades. A amplitude geográfica tornou o movimento um dos mais extensos do período recente.
Mortes, prisões e repressão
Dados compilados pelo grupo de direitos humanos HRANA, citados pela Reuters, indicam que:
→ Mais de 500 pessoas morreram desde o início dos protestos, incluindo 490 manifestantes e 48 integrantes das forças de segurança.
→ Mais de 10.600 pessoas foram detidas ao longo das primeiras semanas de manifestações.
O governo iraniano não divulgou números oficiais detalhados sobre mortos e presos. Agências internacionais afirmam que não foi possível verificar de forma independente todos os dados em razão das restrições impostas pelas autoridades.
Corte de internet e controle de informação
Como parte da resposta do Estado, houve bloqueio de internet e de serviços de telefonia em várias regiões. A medida dificultou a organização dos protestos e a cobertura internacional, sendo apontada por organizações e analistas como instrumento de controle e repressão.
Resposta oficial e discurso do regime
Autoridades iranianas passaram a atribuir os protestos à influência de potências estrangeiras, classificando participantes como inimigos do Estado e da religião. Paralelamente, líderes políticos e militares emitiram advertências públicas afirmando que forças estrangeiras poderiam se tornar alvos caso haja ataques ou intervenção externa contra o país.
Repercussão internacional
Autoridades dos Estados Unidos mencionaram apoio aos manifestantes e declararam que acompanham a situação. Segundo a Reuters, o tema elevou a tensão diplomática, levando Teerã a ameaçar retaliação caso haja qualquer ação externa ligada aos protestos.
O que está em jogo
Especialistas ouvidos pela imprensa internacional apontam que o atual ciclo de protestos representa:
→ Um teste de estabilidade para o regime iraniano;
→ Um desafio político que ultrapassa demandas econômicas;
→ Um fator de tensão geopolítica, com potencial impacto nas relações do Irã com potências ocidentais.
Situação atual
Até o momento:
→ As manifestações continuam em diferentes pontos do país;
→ O governo mantém medidas de repressão e restrição de comunicação;
→ Não há sinal de abertura para negociação pública ou recuo oficial.
A evolução do cenário permanece incerta, enquanto cresce a pressão interna e externa sobre o regime do Irã.


