A Polônia e a Itália anunciaram que não vão aderir ao “Board of Peace” (Conselho de Paz) proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (11) e adiciona mais dois aliados de Washington à lista de países que permanecem fora da iniciativa, segundo a Reuters.

O chamado Conselho de Paz foi inicialmente concebido para consolidar o cessar-fogo em Gaza. No entanto, Trump vê o órgão com um papel mais amplo na resolução de conflitos globais, o que tem gerado cautela entre governos europeus.

O POSICIONAMENTO DA POLÔNIA

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que, “nas circunstâncias atuais”, a Polônia não participará dos trabalhos do Conselho de Paz. Ele acrescentou que o tema continuará sendo analisado.

Tusk também declarou que as relações com os Estados Unidos seguem como prioridade para Varsóvia e indicou que, caso as circunstâncias mudem, a Polônia não descarta reconsiderar sua posição.

A Reuters informou ainda que Tusk tinha uma reunião prevista com o presidente polonês, Karol Nawrocki, durante encontro do Conselho de Segurança Nacional, onde o assunto estava na pauta.

A JUSTIFICATIVA DA ITÁLIA

Na Itália, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, confirmou que o país não participará da iniciativa.

Segundo Tajani, existe uma “barreira constitucional insuperável” que impede a adesão italiana ao Conselho de Paz nos moldes atuais. De acordo com a Reuters, a Constituição italiana permite que o país ingresse em organizações internacionais apenas em termos de igualdade com outros Estados.

Autoridades italianas afirmam que esse critério não estaria sendo atendido, uma vez que o estatuto do board concederia a Trump amplos poderes executivos.

A primeira-ministra Giorgia Meloni já havia declarado anteriormente que solicitou alterações nos termos da proposta para permitir uma possível participação italiana.

Tajani acrescentou que a Itália estaria disposta a colaborar em esforços de reconstrução voltados a garantir a paz no Oriente Médio, se necessário.

CONTEXTO INTERNACIONAL

A Reuters relata que Rússia e Belarus foram convidados a integrar o Conselho de Paz, fator que contribuiu para uma postura cautelosa de vários países ocidentais.

O escopo mais amplo da proposta também gerou preocupação entre alguns governos, que veem o órgão como potencial rival das Nações Unidas.

Até o momento, não há confirmação de alterações estruturais na iniciativa após as manifestações de Polônia e Itália.