
Internacional
Navios “fantasma” da Rússia levantam suspeitas de espionagem em águas europeias
18 de dezembro de 2025 • 3 min de leitura
Navios-tanque associados à chamada “frota fantasma” da Rússia passaram a ser monitorados com atenção redobrada por serviços de inteligência europeus após surgirem indícios de que algumas dessas embarcações estariam sendo usadas para mais do que o transporte de petróleo. Segundo autoridades ouvidas por veículos internacionais, há suspeitas de que esses navios possam estar envolvidos em atividades de observação e coleta de informações em áreas estratégicas da Europa.
A frota fantasma é formada por centenas de petroleiros que operam com estruturas de propriedade opacas, bandeiras de conveniência e, em alguns casos, com sistemas de rastreamento desligados ou inconsistentes. O principal objetivo desse esquema, segundo governos ocidentais, é contornar as sanções impostas ao petróleo russo desde o início da guerra na Ucrânia.
Relatórios recentes indicam, no entanto, que alguns desses navios estariam navegando repetidamente por rotas sensíveis, como o Mar Báltico e o Mar do Norte, regiões próximas a portos estratégicos, instalações militares e cabos submarinos de comunicação. Fontes de inteligência europeias e ucranianas relataram à CNN que há preocupação com a possibilidade de esses deslocamentos servirem também para reconhecimento marítimo.
De acordo com essas avaliações, ao menos um caso levantou alertas após tripulantes de um navio ligado à frota fantasma terem sido associados ao registro de imagens de instalações sensíveis a partir do mar. Além disso, autoridades afirmam que alguns petroleiros apresentariam equipamentos incomuns para embarcações civis, como antenas adicionais, embora não haja confirmação pública de uso direto para espionagem.
Especialistas ouvidos pela imprensa internacional classificam o cenário como parte de uma estratégia de “guerra híbrida”, em que atividades formalmente legais são usadas para criar zonas cinzentas entre comércio, pressão política e segurança. Nesse contexto, qualquer reação direta contra navios civis em águas internacionais poderia gerar tensões diplomáticas e riscos de escalada.
Até o momento, não há confirmação de apreensões, detenções de tripulantes ou acusações formais de espionagem contra essas embarcações. A resposta dos países europeus tem se concentrado em vigilância reforçada, monitoramento naval e aéreo, além de medidas econômicas. A União Europeia ampliou recentemente a lista de navios sancionados ligados à frota fantasma, proibindo o acesso dessas embarcações a portos e serviços marítimos do bloco.
Moscou nega qualquer uso de navios civis para fins de inteligência e afirma que as acusações fazem parte de uma narrativa política ocidental. Ainda assim, o aumento da circulação desses petroleiros em áreas sensíveis mantém o tema no centro das preocupações de segurança europeias, em um momento de elevada tensão geopolítica no continente.
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