
Internacional
EUA intensificam bloqueio no mar e miram 3º petroleiro perto da Venezuela; entenda a cronologia
21 de dezembro de 2025 • 4 min de leitura
A tensão entre Estados Unidos e Venezuela ganhou um novo capítulo no mar do Caribe neste fim de semana, com a apreensão de um petroleiro, a interceptação de outro e a perseguição a uma terceira embarcação que, segundo autoridades americanas, integra a chamada “frota paralela” usada para escoar petróleo sob sanções.
A sequência de ações ocorre após o anúncio de um “bloqueio” (blockade) contra navios associados ao comércio de petróleo venezuelano sob restrições e amplia o risco de escalada diplomática — e, segundo analistas ouvidos por veículos internacionais, pode adicionar pressão aos preços do petróleo se a percepção de risco geopolítico aumentar.
Cronologia dos fatos: o que aconteceu em 10, 20 e 21 de dezembro
Para entender a escalada, é essencial seguir a ordem dos eventos:
- 10 de dezembro: apreensão do petroleiro Skipper. De acordo com informações reunidas por agências e imprensa americana, os EUA apreenderam o petroleiro Skipper em operação liderada por forças americanas, no que foi descrito como parte do endurecimento contra embarcações ligadas a redes de transporte de “óleo sancionado”.
- 20 de dezembro: interceptação/apreensão do navio Centuries. No sábado (20), a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, confirmou que a Guarda Costeira (com apoio militar) “apreendeu” um petroleiro que havia atracado pela última vez na Venezuela. A Reuters relata que a embarcação foi identificada como o Panama-flagged Centuries por empresa de risco marítimo e fontes de segurança, e que ela teria carregado petróleo venezuelano (Merey) com destino à China, segundo documentos internos e rastreamento citado na reportagem. Autoridades e especialistas ouvidos pela Reuters ressaltaram que o Centuries não estava, em si, na lista de sanções dos EUA — ponto que torna o episódio mais sensível do ponto de vista político e jurídico.
Caracas reagiu chamando a ação de “ato grave de pirataria internacional” e afirmou que levaria o caso a instâncias internacionais, incluindo a ONU, segundo a mesma apuração.
- 21 de dezembro: perseguição a um 3º petroleiro, apontado como Bella 1. No domingo (21), autoridades disseram à Reuters que a Guarda Costeira dos EUA estava em “perseguição ativa” a mais um petroleiro em águas internacionais perto da Venezuela. Fontes marítimas e de segurança identificaram o navio como Bella 1 e afirmaram que ele consta na lista de sanções do Departamento do Tesouro; ainda não havia confirmação pública de abordagem/embarque no momento do relato. Segundo serviço de monitoramento citado, o Bella 1 estaria vazio ao se aproximar da Venezuela.
O que os EUA dizem estar fazendo
A justificativa central apresentada por autoridades americanas é a de combater o “movimento ilícito” de petróleo sob sanções e redes de evasão — frequentemente descritas como “shadow/dark fleet” (frota paralela), com uso de bandeira falsa e rotas opacas.
A Reuters reporta que, após o anúncio do “bloqueio” por Donald Trump em 16 de dezembro, houve impacto operacional imediato: navios carregados passaram a evitar sair de águas venezuelanas por receio de apreensão, o que também afetou o fluxo de exportações venezuelanas.
A leitura política e os bastidores
Nos bastidores, o que chama atenção é a combinação de três movimentos:
- Aumento do ritmo e da visibilidade das operações: em menos de duas semanas, houve (ao menos) um caso de apreensão anterior, seguido pelo Centuries (20) e pela perseguição ao Bella 1 (21).
- Diferenciação entre navios sancionados e não sancionados: enquanto o Bella 1 é descrito como “sancionado”, o Centuries foi apontado como não listado em sanções — o que amplia o debate sobre alcance e sinalização política dessas ações.
- Risco de reação e escalada: autoridades venezuelanas têm denunciado as abordagens como “roubo”/“pirataria”, enquanto, do lado americano, integrantes do governo e aliados defendem endurecimento.
E o impacto no petróleo?
Segundo a Reuters, um integrante do mercado disse que o episódio pode elevar levemente os preços quando a Ásia reabrir as negociações, ao aumentar a percepção de risco sobre barris venezuelanos e sobre o “tráfego” associado a países sancionados. Ao mesmo tempo, uma autoridade econômica da Casa Branca minimizou o efeito direto sobre o preço nos EUA, argumentando que seriam poucos navios e ligados a mercado paralelo.
O que observar nos próximos dias
- Se a perseguição ao Bella 1 vai virar abordagem/apreensão formal (ou apenas interceptação/monitoramento).
- Se haverá resposta diplomática concreta da Venezuela em fóruns internacionais, como anunciado.
- Se o fluxo de exportações venezuelanas seguirá travado e por quanto tempo — um fator que pode influenciar o mercado se persistir.
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