A China está conduzindo em segredo um ambicioso programa tecnológico para quebrar o domínio ocidental sobre a fabricação de chips avançados usados em inteligência artificial. A revelação foi feita nesta terça-feira por uma extensa investigação da agência Reuters, que descreve a iniciativa como um verdadeiro “Projeto Manhattan” chinês para semicondutores.

Segundo a reportagem, o plano envolve o desenvolvimento interno de máquinas de litografia de ultravioleta extremo (EUV), consideradas o maior gargalo tecnológico da indústria global de chips. Atualmente, apenas a empresa holandesa ASML domina essa tecnologia, fundamental para a produção dos semicondutores mais avançados do mundo, utilizados em aplicações de IA, computação de alto desempenho e sistemas estratégicos.

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o projeto vem sendo desenvolvido de forma altamente sigilosa em centros de pesquisa ligados ao governo chinês, com participação de engenheiros experientes e ex-profissionais de empresas estrangeiras do setor. O objetivo central é reduzir a dependência da China de equipamentos e componentes sujeitos a controles de exportação impostos pelos Estados Unidos e seus aliados.

A iniciativa ganhou força após o endurecimento das sanções americanas, que passaram a restringir o acesso chinês tanto a chips de última geração quanto às máquinas necessárias para fabricá-los. Desde então, Pequim intensificou investimentos para alcançar autossuficiência em toda a cadeia de semicondutores, considerada estratégica para a segurança nacional e o desenvolvimento econômico.

Embora o projeto ainda não tenha resultado em produção comercial de chips no mesmo nível dos fabricados no Ocidente, a Reuters aponta que os avanços obtidos indicam que a China está mais próxima de superar barreiras técnicas críticas do que se imaginava anteriormente. Analistas ouvidos pela agência avaliam que, se bem-sucedida, a iniciativa pode reduzir significativamente o impacto das sanções internacionais nos próximos anos.

O movimento ocorre em paralelo ao crescimento acelerado do ecossistema chinês de inteligência artificial. O país tem investido pesadamente tanto em hardware quanto em software, com o surgimento de modelos avançados de IA e uma indústria que movimenta centenas de bilhões de dólares. Especialistas alertam que a combinação entre chips próprios e modelos competitivos pode alterar o equilíbrio global de poder tecnológico.

Para governos ocidentais, a revelação reforça preocupações sobre segurança, competitividade e controle de tecnologias sensíveis. Para a China, o projeto representa um passo decisivo para garantir autonomia em um dos setores mais estratégicos do século XXI.