Em um cenário global marcado pelo aumento de barreiras comerciais, o avanço do acordo entre a União Europeia e o Mercosul surge como um movimento que vai no sentido oposto às políticas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos. A decisão europeia reacende o debate sobre os rumos do comércio internacional e os impactos diretos para países como o Brasil.

Um acordo em meio ao fechamento de mercados

Nos últimos tempos, o comércio global passou a conviver com restrições, tarifas e subsídios internos, especialmente nos Estados Unidos, onde políticas voltadas à proteção da indústria doméstica ganharam força. Analistas apontam que esse movimento tem contribuído para a fragmentação das cadeias globais de comércio.

É nesse contexto que o acordo UE-Mercosul se destaca. Após 25 anos de negociações, países da União Europeia aprovaram, em 9 de janeiro de 2026, o avanço do tratado, abrindo caminho para a assinatura formal.

O que a decisão europeia representa

A aprovação ocorreu por maioria qualificada entre os países do bloco europeu, autorizando o avanço político do acordo. Segundo dados citados pela imprensa internacional, o tratado envolve um comércio bilateral que movimentou cerca de €111 bilhões em 2024.

Para analistas ouvidos pela CNN Brasil e pelo Correio Braziliense, o gesto europeu representa mais do que um acordo comercial: é um sinal político de defesa do multilateralismo em um momento de retração das regras globais de comércio.

Contraponto direto ao protecionismo dos EUA

As análises destacam que o acordo UE-Mercosul funciona como um contraponto explícito ao protecionismo norte-americano, baseado em:

➜ Tarifas sobre produtos importados

➜ Incentivos e subsídios à produção interna

➜ Medidas de restrição comercial para proteger setores estratégicos

Enquanto os Estados Unidos reforçam barreiras, a União Europeia opta por expandir o acesso a mercados externos, apostando em previsibilidade e regras comuns.

Impacto para o Brasil

O Brasil aparece como um dos países mais diretamente afetados pelo avanço do acordo. As análises apontam que o tratado pode:

Ampliar o acesso do agronegócio brasileiro ao mercado europeu

➜ Reforçar a inserção do país em cadeias globais de comércio

➜ Oferecer maior previsibilidade em um cenário internacional instável

Especialistas ressaltam que, em um mundo mais fechado, acordos desse tipo ganham peso estratégico para economias emergentes.

Resistências e limites

Apesar do avanço, o acordo segue longe de ser consenso. Países europeus com forte base agrícola continuam expressando resistência, temendo impactos sobre produtores locais.

Além disso, o tratado ainda não entrou em vigor. Ele depende de:

➜ Assinatura formal

➜ Ratificação pelo Parlamento Europeu

➜ Aprovação nos parlamentos dos países do Mercosul