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Casares pode sofrer impeachment no São Paulo? O que o estatuto prevê e por que o tema voltou ao centro do clube
15 de dezembro de 2025 • 9 min de leitura
Uma sequência de acontecimentos fora de campo passou a pesar no ambiente político do São Paulo. Além de ficar fora da Libertadores de 2026, o clube viveu nesta semana a divulgação de um áudio envolvendo diretores ligados à atual gestão, episódio que resultou em afastamentos temporários e ampliou o debate interno sobre responsabilidade administrativa.
É nesse contexto que a pergunta voltou a circular com força nos bastidores: o presidente Julio Casares pode sofrer impeachment (destituição) no São Paulo?
A resposta curta é: o estatuto prevê mecanismos de destituição. Mas, como quase tudo na política de um clube social, o que define se isso sai do debate e vira processo formal não é um “clamor de arquibancada”. É rito, quórum, base de votos e, principalmente, ambiente político dentro do Conselho Deliberativo.
A seguir, o Trendahora explica, ponto a ponto, o que diz o estatuto, como funciona a dinâmica interna e por que o tema voltou a ganhar tração.
1) O gatilho: por que o São Paulo ficou fora da Libertadores de 2026
O São Paulo aguardava uma combinação específica de resultados e vagas para que o Campeonato Brasileiro abrisse espaço até o chamado “G-8”. Com a definição da final da Copa do Brasil — e com o desenho de vagas adotado para 2026 — essa abertura não aconteceu na forma que parte do clube esperava.
Na prática, o efeito é claro para o torcedor: o São Paulo não terá Libertadores em 2026, e a temporada continental do clube tende a ser a Sul-Americana.
Para qualquer gestão, isso pesa em três camadas ao mesmo tempo:
• Esportiva: o clube deixa de disputar a principal competição da América do Sul.
• Financeira: a Libertadores, historicamente, é a competição com maior potencial de receita e premiação no continente.
• Política: o peso simbólico de “ficar fora” altera o humor de conselheiros e correntes internas — especialmente em um ambiente já tensionado.
2) Impeachment no futebol não é “tabu”: é ferramenta estatutária
Quando o termo “impeachment” aparece no futebol, ele costuma ser usado como sinônimo de destituição do mandato. O instrumento existe para lidar com cenários em que parte do poder interno entende que houve quebra de deveres, má condução administrativa, ou perda de condições políticas para permanecer.
No São Paulo, esse tipo de movimento não é novidade histórica. Em diferentes momentos do clube, o tema já foi levantado contra presidentes anteriores, sempre com o mesmo ponto de partida: o estatuto e as regras internas do Conselho.
Ou seja: não é sobre “pedido em rede social”. É sobre procedimento interno.
3) O que o estatuto prevê: quando um presidente pode ser destituído
O estatuto do São Paulo (na redação atual) prevê a possibilidade de destituição do presidente eleito por decisão do Conselho Deliberativo, mediante quórum qualificado.
Na prática, isso significa que não basta “metade mais um” de uma reunião comum. O modelo é desenhado para ser difícil, justamente para evitar destituições por impulso.
Em leituras anteriores do próprio noticiário do clube e em discussões históricas dentro do São Paulo, aparece um ponto central:
• Para destituir um presidente, é necessário um quórum alto, tipicamente na casa de 2/3 do Conselho.
Esse detalhe muda completamente o debate: a discussão deixa de ser “há insatisfação?” e vira “há votos suficientes?”
4) Como um processo avança: o que precisa acontecer dentro do Conselho
Mesmo quando há pressão pública, um processo de destituição não nasce pronto. Ele tende a seguir um caminho com etapas políticas e formais, como:
• articulação para reunir assinaturas e apoio interno
• protocolo de pedido (quando existe) dentro do Conselho
• análise inicial do presidente do Conselho Deliberativo
• possível encaminhamento para comissões (ética, sindicância, etc.) dependendo do caso
• votação com quórum elevado
É por isso que, no futebol, muitos movimentos começam barulhentos e terminam sem votação: a régua política é alta.
5) Por que o tema voltou agora: sinais de pressão que já vinham antes da Libertadores
A discussão não nasceu do nada com a vaga continental. O assunto já aparecia antes em reportagens sobre bastidores do São Paulo.
Nas últimas semanas, houve relatos de conselheiros da oposição buscando assinaturas para formalizar um pedido de impeachment do presidente Julio Casares, com alegações relacionadas a “gestão temerária” — termo recorrente em disputas políticas quando o foco é administração e finanças.
Esse é um ponto importante de cronologia:
• O debate sobre destituição não surge apenas pelo “resultado da tabela”.
Ele se acopla a um cenário prévio de contestação política.
A vaga fora da Libertadores, nesse sentido, atua como acelerador: ela organiza a insatisfação em torno de um marco claro, fácil de comunicar e com impacto financeiro evidente.
6) O eixo financeiro: dívida, narrativa de austeridade e o choque com a realidade
Dentro de qualquer clube, números não derrubam presidentes sozinhos. Mas eles mudam o ambiente quando entram em contradição com o discurso original de gestão.
No caso do São Paulo, torcedores e conselheiros lembram com frequência de uma linha defendida no início do ciclo: o clube passaria por um período de austeridade, com foco em reorganização financeira, e só depois voltaria a disputar hegemonia.
Com o tempo, parte do debate passou a girar ao redor de uma percepção incômoda para a política interna:
• o clube não alcançou a estabilidade prometida no ritmo esperado,
• e o endividamento/pressão de caixa virou tema constante de entrevistas e explicações públicas.
O próprio presidente, em declarações recentes, reconheceu decisões de “risco” para manter competitividade e reconectar o clube com o torcedor — narrativa que, para defensores, é justificativa de estratégia; para críticos, é munição para questionar o custo de curto prazo.
Quando o clube fica fora da Libertadores, esse ponto volta com força porque a competição continental costuma ser vista como uma das “alavancas” de receita e projeção. Sem ela, o orçamento fica mais apertado, e o debate de gestão ganha peso.
7) O eixo esportivo: vendas, base e o debate sobre “modelo”
Outro tema que aparece com frequência em reportagens sobre o São Paulo em 2025 é o debate sobre negociações de atletas — especialmente da base — e o quanto o clube consegue converter Cotia em receitas consistentes e bem negociadas.
Há duas leituras que convivem no Morumbi:
• A base é um ativo histórico do São Paulo e precisa financiar o clube com vendas bem feitas.
• Ao mesmo tempo, depender exclusivamente de vendas pode gerar decisões apressadas, pressão por caixa e conflitos internos.
Esse pano de fundo é relevante porque ele se conecta diretamente ao tema que virou uma das maiores arenas políticas do ano:
8) “Fundo de Cotia”: por que a proposta virou termômetro político
A proposta de criação de um fundo de investimento ligado às categorias de base (muitas vezes chamada, no debate público, de “fundo de Cotia”) se tornou um divisor interno — não apenas pelo mérito econômico, mas pelo que ela representa em termos de modelo de clube.
Reportagens mostraram divergências públicas e internas sobre o tema, inclusive com disputa entre grupos políticos, com visões diferentes sobre o nível de influência de investidores e metas sobre a formação de atletas.
Para defensores, a proposta busca capitalizar a base e profissionalizar a estrutura. Para críticos, há receio de que isso gere pressões externas e metas que alterem a lógica histórica de Cotia — justamente a área que muitos consideram “o que mais funciona” no clube hoje.
Quando uma decisão assim entra no centro da política interna, ela vira “símbolo”: não é só sobre o fundo. É sobre quem controla o futuro do clube.
E símbolos têm peso quando chega a hora de medir força dentro do Conselho.
9) O eixo médico: a temporada das lesões e o desgaste institucional
Há ainda um tema que, em 2025, virou recorrente no São Paulo: o volume de atletas passando pelo departamento médico e as discussões públicas sobre bastidores do setor.
Além de reportagens sobre a alta incidência de lesões no elenco, o assunto ganhou contornos ainda mais delicados com a exposição de detalhes internos, como a discussão sobre uso de substâncias/medicações para controle de peso sob supervisão profissional, o que gerou ruído e debate.
Aqui, o ponto político não é “culpa direta” — e nem deve ser tratado assim. O ponto é outro:
• crise de DM desgasta imagem do clube,
• afeta desempenho,
• e vira mais um elemento do ambiente de contestação.
Em política interna, a soma é o que importa: quando existe um pacote de desgaste (finanças + resultados + bastidores expostos), o risco político aumenta.
10) Então, Casares pode ser impeachmado? A resposta realista
Do ponto de vista institucional, a resposta é:
Sim, o estatuto prevê a destituição do presidente eleito, desde que haja rito e quórum qualificado no Conselho Deliberativo.
Do ponto de vista político, a resposta é mais importante — e menos “binária”:
A pergunta prática não é “pode?”, e sim “há votos e ambiente para isso?”
O Conselho é composto por correntes, alianças, grupos e interesses que oscilam. Há situação, oposição, dissidentes e independentes. E, em geral, destituição só avança quando três coisas se alinham:
• fato esportivo/financeiro difícil de explicar (como perder a Libertadores)
• narrativa de desgaste já construída (como finanças, bastidores, crise de setores)
• ruptura de base política dentro do Conselho (quando a “situação” deixa de ser maioria confiável)
Se esse último ponto não acontecer, o tema pode continuar grande no debate público — mas sem virar processo com chance real.
11) O que observar a partir de agora: os sinais que mostram se o debate vira algo formal
Para o torcedor que quer entender “o que vem pela frente”, alguns sinais costumam ser decisivos:
• Movimentação pública de conselheiros com número concreto de assinaturas
• Notas oficiais, reuniões e pautas do Conselho com o assunto em discussão
• Declarações de figuras influentes do clube (situação e dissidência)
• Mudança de postura de grupos historicamente alinhados ao presidente
• Pressão por transparência e números fechados após o cenário da Libertadores
O São Paulo é um clube em que a política interna costuma reagir a marcos. A ausência na Libertadores é um desses marcos.
Conclusão
A discussão sobre impeachment (destituição) de Julio Casares não depende apenas do barulho externo. Ela depende do que o estatuto permite, do que o Conselho aceita e, principalmente, de como a política interna vai se reorganizar depois de um golpe esportivo e financeiro como ficar fora da Libertadores de 2026.
O estatuto abre o caminho. O ambiente decide se alguém vai caminhar por ele.
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