O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, renunciou ao cargo nesta terça-feira (17), em meio à guerra contra o Irã.
A saída ocorre na terceira semana do conflito e marca a primeira renúncia de um alto funcionário do governo Donald Trump diretamente ligada à escalada militar.
Kent chefiava o National Counterterrorism Center (NCTC), órgão estratégico da estrutura de inteligência americana responsável por coordenar ações contra ameaças terroristas.
Carta cita desacordo com a guerra
Em carta divulgada nas redes sociais, Kent afirmou que não poderia “apoiar em boa consciência a guerra em curso no Irã”.
Segundo ele, o Irã não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos, argumento que contrasta com a justificativa oficial da Casa Branca para a ofensiva militar.
No mesmo documento, Kent também declarou que a guerra teria sido iniciada sob pressão de Israel e de seu lobby — afirmação que intensificou a repercussão política do caso em Washington.
Casa Branca rebate e defende decisão
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reagiu às declarações e classificou a carta como baseada em “alegações falsas”.
Segundo ela, o presidente Donald Trump possuía “evidências fortes e convincentes” de que o Irã estava prestes a atacar os Estados Unidos, justificando a ação militar.
Divisão interna na inteligência e política
Relatórios do National Intelligence Council — órgão ligado à diretoria de inteligência nacional — já haviam alertado antes e depois do início dos ataques para os riscos da operação.
Entre os pontos destacados estavam:
• baixa probabilidade de colapso do governo iraniano
• possibilidade de retaliação contra forças americanas
• riscos a aliados dos EUA na região do Golfo
Kent é considerado próximo da diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, e tem histórico alinhado à visão “America First”, sendo conhecido por posições contrárias a intervenções militares no exterior.
Pressão cresce no Congresso
A renúncia também amplia a tensão política interna nos Estados Unidos.
O senador democrata Mark Warner afirmou que “não havia evidência crível” de uma ameaça iminente do Irã, questionando a decisão de levar o país a mais um conflito no Oriente Médio.
Impacto político imediato
A saída de Kent ocorre em um momento sensível da guerra e expõe fissuras dentro do próprio governo e da comunidade de inteligência.
Além do impacto operacional, a renúncia adiciona pressão política sobre a administração Trump, que enfrenta críticas sobre a justificativa e os riscos da intervenção.



